sexta-feira, 1 de março de 2013

Cap. 5





_Sua mãe quer que você conte sobre nós. Está louca de curiosidade._ Sebastian me disse finalmente. Sorrindo como se nada tivesse acontecido.
_Eu sei, conheço minha mãe, mas como você sabe?
_Posso ouvir os pensamentos dela. Assim como de todos os humanos.
_Mas não o meu?
_Sim. E nem de ultra-humanos ou dos lobisomens. Só se eles deixarem. O que não é frequente.
_Mas às vezes acho que você sabe exatamente o que eu penso.
_Como você, eu leio as expressões. E as suas são muito claras. Por falar nisso, pude ver que se assustou com minha transformação, mas porque queria ver minhas presas? Isso não ficou muito claro. _ ele fixou seus olhos no meu rosto, então eu desviei envergonhada e sem responder. _Diga. _ ele insistiu.
_Eu não sei. Curiosidade, eu acho. _ mantive meus olhos no mar, mas ele segurou meu rosto e puxou para ele.
_Não afaste seus olhos de mim Helene. _ ele disse impaciente e desceu sua mão pela pele do meu pescoço suavemente. Senti a eletricidade me acender novamente com intensidade. _ Você quer vê-las agora?_ ele perguntou intensamente. Concordei com a cabeça bobamente. Ele sorriu de lado_ Não acho que seja uma boa ideia._ disse e tirou a mão de mim. Ele olhando para o mar dessa vez.
_Você me confunde._ desabafei.
_Você deve entrar agora, sua mãe pode ter um ataque cardíaco se demorar mais._ Olhei furiosa pra ele e fui para casa.
_O que foi mãe?_ me joguei no sofá da sala. Ela veio saltitando de ansiedade.
_Conte tudo. Tudinho. Quem são esses dois deuses gregos e o que eles estavam fazendo aqui? Você quer um deles? Qual?
_Calma mãe, uma pergunta de cada vez, por favor._ respirei por um momento comecei logo a falar porque por um minuto achei que Sebastian tinha razão e ela pudesse ter um ataque cardíaco. _Você sabe o que eles querem aqui mãe. É o que eles sempre querem.
_Você. Claro. _ ela concluiu impaciente pelas outras respostas.
_O que acontece de diferente é que eu me interessei um pouco neles, mas ainda não sei por qual. _Resolvi não fugir muito da verdade. Isso era sempre mais seguro.
_E eu não tiro sua razão. Eu que não ia querer ter uma dúvida dessas._ ela andava pela sala excitada_ Será que você não pode ficar com os dois?_ ela brincou._ ou com os três, já que o Rafa não perde em nada para seus amigos estrangeiros._ ela me olhou sorrindo._ Eu sempre digo você não sabe a sorte que tem. Poderia escolher dentre todos os homens do mundo e fica aí sozinha.
_Eu nunca quis nenhum, mãe.
_Até agora, pelo que estou vendo.
_É. Até agora.
_Eles vão voltar?_ ela parecia criança esperando o presente de Natal.
_Acho que sim. _Tentei parecer inocente.
_Que bom! _Acho que nós devíamos convidá-los para um almoço de domingo, já que eles estão sem companhia na cidade.
_Acho que sim._ eu concordei. Seria melhor arrumar uma desculpa depois do que negar algo àquela empolgação toda. Pensando bem, acho que Victor adoraria um almoço de domingo. Lembrei-me de seu apetite com o macarrão com salsicha.
_Ótimo! Vou pensar em algo bem brasileiro para servir para eles, eu posso te ajudar a preparar.
_ Tudo bem mãe. Eu vou dormir agora._ disse já indo, desanimada, para o meu quarto. Certa de que ia encontrar um vampiro irritantemente tentador a minha espera.
_Vá sim, filha e bons sonhos._ ela espetou. Eu me virei e fiz uma careta para ela que sorria largamente. Minha mãe era uma jovem mulher morena e com cabelos cacheados curtos que faziam uma forma arredondada em sua cabeça. Ela o tingia com um castanho claro que lhe assentava muito bem. Moderno e bonito. Seus olhos eram castanhos e seu rosto tinha linhas simples, que em nada se parecia com o meu. Ela dizia que eu me parecia com meu pai, mas pelo que eu me lembrava dele, não tinha nenhuma semelhança também.
_Vai sonhar comigo?_ A voz lenta e profunda de Sebastian atravessou meu quarto antes mesmo que eu pudesse acender a luz. Eu entrei e fechei a porta atrás de mim com medo de minha mãe o ouvir. Eu queria manda-lo embora, mas não conseguia. Sentia falta dele. Parte de mim, uma parte que se tornava cada vez mais forte o queria por perto.
_Preciso dormir Sebastian. _ eu disse com mau humor transbordado em minha voz.
_Dormir é chato. _ prefiro que fique conversando comigo.
_Você nunca dorme?
_Normalmente eu durmo durante o dia, mas não nesses dias que estou com você por perto. Quem precisa dormir? _Percebi que ele estava com outras roupas e seu cabelo estava muito molhado.
_Você tomou banho?_ estava surpresa.
_Sim. Espero que não se importe._ ele sorriu e chegou mais perto de mim, quase me tocando. O cheiro fresco de sabonete e shampoo, se misturava ao cheiro de sua pele. Minha mente se anuviou momentaneamente.
_Eu não me importo, mas onde encontrou roupas?
_Meu carro está parado perto do calçadão aqui em frente._ Ele passou a mão pelo cabelo tirando um pouco da água acumulada nas pontas. Sua camiseta branca estava respingada como se ele não tivesse se dado o trabalho de se secar devidamente.
_Faz sentido._ eu murmurei distraída com seus movimentos e sua perfeição hipnotizante.
_Está com sono?
_Não muito._ eu tinha dormido quase o dia todo. Lembrei-me.
_Bom. _ ele se sentou na cama e me puxou pela mão, me fazendo sentar ao seu lado. _Me diga uma coisa, se você não fosse a Pura o que faria de sua vida?
_Não sei bem, qualquer coisa._ eu pensei por um momento_ já sonhei com tantas coisas. Eu queria ser atriz, depois cantora._ eu ri.
_Nem posso imaginar a desgraça que faria com seu canto._ ele brincou.
_Mas agora, mais madura, eu acho que seria professora. Adoro crianças e penso que seria muito feliz ensinando boas coisas a elas. Minha mãe é professora sabia?_ perguntei.
_Sim, eu sei que você costumava ir à escola com ela e ajudar com as crianças._ Ele confessou. Fiquei chocada como ele tinha realmente me observado, mas deixei passar.
_Isso foi antes das coisas piorarem. Agora eu mal posso sair de casa com escolta. _ me lembrei da briga do Rafa com os dois homens no estacionamento do shopping.
_Sei disso também. _ ele adivinhou do que eu estava e lembrando.
_Me diz Sebastian_ eu pausei. Ele me olhou com mais interesse_ se eu escolher um de vocês...
_Quando você escolher._ ele me interrompeu. Eu respirei fundo. Não estava convencida que faria isso.
_Então, isso vai parar? Quero dizer, vou poder ser vista como uma mulher normal?
_Entenda, quando você completar vinte e um anos estará no auge de sua maturidade sexual. O que faz os homens se atraírem por você, é na verdade sua libido não satisfeita. É um sinal que seu corpo emite dizendo que você precisa ser satisfeita sexualmente. Sei que você não tem consciência disso, mas é o que acontece. _ ele disse pausadamente e me olhou, quando viu que eu estava esperando, ele continuou _Quando você escolher seu macho, ele te manterá satisfeita e assim o sinal não será emitido, ou pelo menos não com tanta intensidade. Mas se por algum motivo você ficar em abstinência novamente tudo volta. Você nunca será uma mulher “normal” como você diz Helene.
_Então se eu já tivesse um namorado, quero dizer se eu tivesse..._ fiquei com vergonha de falar a palavra, mas ele entendeu.
_Sim, mas você não faria isso. Fiquei chocado quando você finalmente parou de resistir ao Lobisomem, isso não era para acontecer. Talvez a genética da sua mãe esteja intensificando sua libido. Eu estive pensando sobre isso. _ ele parecia distraído.
_O que quer dizer?
_A Pura rejeita os machos humanos por que os reconhece como sendo uma espécie inferior, e rejeita seus candidatos porque ainda não está pronta para escolher entre eles, mas com você isso parece ser... diferente.
_Diferente como?
_Parece ser mais difícil para você resistir à atração e penso que talvez o Elfo não tenha feito a escolha certa engravidando sua mãe. Ele tinha que ter escolhido uma mulher recatada, com o sangue mais frio. Mas não foi isso que eu vi na senhora Claudia._ ele riu, mas eu estava atônita com a revelação.
Eu era filha de um Elfo? O que era isso afinal?
Sebastian adivinhou meu pensamento, como sempre.
_Os Elfos não habitam esse mundo. Eles pertencem ha um mundo superior, mas eles têm a incumbência de virem aqui, uma vez a cada cem anos para criar a Pura. Fazem isso para manter a vida equilibrada na Terra.
Aquilo estava ficando cada vez mais confuso.
_Um Elfo?_ eu soltei sem saber o que pensar.
_Eu sei que você pensa que se lembra de seu pai, mas esse homem que se lembra não era seu pai. Ele era o marido de sua mãe, mas você não é filha dele. Sua mãe foi seduzida por um Elfo, mas nem mesmo ela se lembra disso. Ele apagou sua memória depois de tudo. Precisava fazer isso.
_Isso é terrível! Tadinha de mamãe._ eu disse triste. Confusa.
_Ela não foi prejudicada. Com a troca de fluídos com o Elfo sua saúde se tornou perfeita e ela viverá saudável por muito mais anos do que poderia.
Eu olhei para ele perplexa.
_ É por isso que eu nunca fico doente e nunca me esqueço de nada?_ ele assentiu com a cabeça. _Como você pode saber de tudo isso?
_As raças deviam conviver entre si harmonicamente. Cada um fazendo sua parte nesse equilíbrio da sobrevivência. Mas por algum motivo os humanos se multiplicaram mais e nos excluíram para os becos do mundo. Tivemos que nos esconder e esconder tudo que se referisse a nossa existência. Há muitas gerações os humanos vivem ignorando a nossa presença entre eles. Isso é necessário. Mas é por isso que nem você, nem sua mãe, nem nenhum humano sabe sobre nada disso. Mas nós, Ultra-humanos, lobisomens e vampiros, sabemos de tudo desde que nascemos. Temos livros e mais livros que nos contam, o que para vocês são mistérios e loucuras.
_Os lobisomens sabem?
_Sim. Eles sabem.
_Mas Rafael não sabia. Ele nunca disse nada.
_Sou da opinião que ele não acreditava. Com certeza seus parentes o advertiram, mas essa geração "civilizada” não parece levar nada a serio._ ele disse contrariado.
_Sim. Ele me disse que seu pai tinha falado, mas ele não acreditou. Eu também não acreditaria se não tivesse visto com meus próprios olhos.
_E sentido em sua pele._ Sebastian deslizou as costas dos dedos pelo comprimento do meu braço, muito suavemente. Senti a eletricidade em cada poro que ele tocava. A queimação da necessidade ascendeu. Voltei meus olhos para os dele. Eles também estavam aquecidos.
_Sebastian_ quase ronronei seu nome _ já que deu certo da primeira vez. Você não acha que poderíamos tentar de novo, e ir um pouco mais?_ meu tom era de súplica.
_Continua sendo muito perigoso._ ele disse, mas não havia determinação em sua voz. Aproveitei isso e aproximei mais meu corpo do dele.
_Eu sou da opinião que vale a pena correr o risco._ minha respiração já estava alterada de antecipação. Os olhos dele estavam fixos nos meus com intensidade. Ele também se móvel para mais perto de mim.
_Vai se comportar dessa vez?_ seu tom era quase brincalhão.
_Eu não acho que posso te garantir isso._ ele sorriu abertamente. Claramente satisfeito com a minha confissão.
_Certamente tem algo errado com a sua genética._ ele brincou.
_Por favor, Sebastian._ implorei e toquei sua mão que estava apoiada na cama ao meu lado. Ele desfez o sorriso lentamente. Seus olhos se tornaram negros como a noite e ele me beijou. Não há como descrever o sabor e a sensação de seus lábios nos meus. Sua língua na minha. O calor e o perfume de sua respiração no meu rosto. Meu corpo era apenas uma chama acessa sendo consumido violentamente. Sebastian separou-se de mim por um segundo. Só para alcançar a gola da minha blusa e a rasga-la facilmente de cima a baixo. Isso me surpreendeu, mas o prazer de estar sendo invadida por ele me tomou completamente. Em um movimento tão rápido que não pude ver, eu estava deitada na cama com ele sobre mim. Sua boca estava na minha de novo e suas mãos, agora corriam livremente pelos meus seios. Meu peito buscava por um ar que não era suficiente. Minha mente estava cheia de nuvens como um dia chuvoso. Não havia pensamentos nela. Não havia conflito, nem dúvida. Só o que eu sentia era o desejo de me fundir cada vez mais naquele homem. O fogo que consumia meu corpo aumentava, como se tivessem jogando gasolina nele. O alívio por ser tocada onde Rafa me tocou estava lá, mas o desejo devastador por mais o deixava quase insignificante. Por um impulso passei minha língua pelos dentes de Sebastian buscando suas presas. Quando as senti, um instinto desconhecido me fez querer senti-las em mim. Eu queria tudo dele, e queria que ele tivesse tudo de mim também. Sem conseguir pensar no que estava fazendo, virei meu rosto para o lado e ergui levemente o pescoço para a boca de Sebastian. Ele congelou. Por um segundo senti seu corpo paralisado e tenso em cima de mim, mas quando finalmente consegui abrir meus olhos, ele tinha ido. Apertei meus olhos e tentei recobrar meu juízo. Estava tonta e confusa. Sentei-me na cama sentindo o vazio que Sebastian deixou no meu corpo. Ele não estava no meu quarto. Tinha sumido.


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