_Sua mãe quer
que você conte sobre nós. Está louca de curiosidade._ Sebastian me disse
finalmente. Sorrindo como se nada tivesse acontecido.
_Eu sei,
conheço minha mãe, mas como você sabe?
_Posso ouvir
os pensamentos dela. Assim como de todos os humanos.
_Mas não o
meu?
_Sim. E nem
de ultra-humanos ou dos lobisomens. Só se eles deixarem. O que não é frequente.
_Mas às vezes
acho que você sabe exatamente o que eu penso.
_Como você,
eu leio as expressões. E as suas são muito claras. Por falar nisso, pude ver que
se assustou com minha transformação, mas porque queria ver minhas presas? Isso
não ficou muito claro. _ ele fixou seus olhos no meu rosto, então eu desviei
envergonhada e sem responder. _Diga. _ ele insistiu.
_Eu não sei.
Curiosidade, eu acho. _ mantive meus olhos no mar, mas ele segurou meu rosto e
puxou para ele.
_Não afaste
seus olhos de mim Helene. _ ele disse impaciente e desceu sua mão pela pele do
meu pescoço suavemente. Senti a eletricidade me acender novamente com
intensidade. _ Você quer vê-las agora?_ ele perguntou intensamente. Concordei
com a cabeça bobamente. Ele sorriu de lado_ Não acho que seja uma boa ideia._
disse e tirou a mão de mim. Ele olhando para o mar dessa vez.
_Você me
confunde._ desabafei.
_Você deve
entrar agora, sua mãe pode ter um ataque cardíaco se demorar mais._ Olhei
furiosa pra ele e fui para casa.
_O que foi
mãe?_ me joguei no sofá da sala. Ela veio saltitando de ansiedade.
_Conte tudo.
Tudinho. Quem são esses dois deuses gregos e o que eles estavam fazendo aqui?
Você quer um deles? Qual?
_Calma mãe,
uma pergunta de cada vez, por favor._ respirei por um momento comecei logo a
falar porque por um minuto achei que Sebastian tinha razão e ela pudesse ter um
ataque cardíaco. _Você sabe o que eles querem aqui mãe. É o que eles sempre
querem.
_Você. Claro.
_ ela concluiu impaciente pelas outras respostas.
_O que
acontece de diferente é que eu me interessei um pouco neles, mas ainda não sei
por qual. _Resolvi não fugir muito da verdade. Isso era sempre mais seguro.
_E eu não
tiro sua razão. Eu que não ia querer ter uma dúvida dessas._ ela andava pela
sala excitada_ Será que você não pode ficar com os dois?_ ela brincou._ ou com
os três, já que o Rafa não perde em nada para seus amigos estrangeiros._ ela me
olhou sorrindo._ Eu sempre digo você não sabe a sorte que tem. Poderia escolher
dentre todos os homens do mundo e fica aí sozinha.
_Eu nunca
quis nenhum, mãe.
_Até agora,
pelo que estou vendo.
_É. Até
agora.
_Eles vão
voltar?_ ela parecia criança esperando o presente de Natal.
_Acho que
sim. _Tentei parecer inocente.
_Que bom!
_Acho que nós devíamos convidá-los para um almoço de domingo, já que eles estão
sem companhia na cidade.
_Acho que
sim._ eu concordei. Seria melhor arrumar uma desculpa depois do que negar algo
àquela empolgação toda. Pensando bem, acho que Victor adoraria um almoço de
domingo. Lembrei-me de seu apetite com o macarrão com salsicha.
_Ótimo! Vou
pensar em algo bem brasileiro para servir para eles, eu posso te ajudar a
preparar.
_ Tudo bem
mãe. Eu vou dormir agora._ disse já indo, desanimada, para o meu quarto. Certa
de que ia encontrar um vampiro irritantemente tentador a minha espera.
_Vá sim,
filha e bons sonhos._ ela espetou. Eu me virei e fiz uma careta para ela que
sorria largamente. Minha mãe era uma jovem mulher morena e com cabelos
cacheados curtos que faziam uma forma arredondada em sua cabeça. Ela o tingia
com um castanho claro que lhe assentava muito bem. Moderno e bonito. Seus olhos
eram castanhos e seu rosto tinha linhas simples, que em nada se parecia com o
meu. Ela dizia que eu me parecia com meu pai, mas pelo que eu me lembrava dele,
não tinha nenhuma semelhança também.
_Vai sonhar
comigo?_ A voz lenta e profunda de Sebastian atravessou meu quarto antes mesmo
que eu pudesse acender a luz. Eu entrei e fechei a porta atrás de mim com medo
de minha mãe o ouvir. Eu queria manda-lo embora, mas não conseguia. Sentia
falta dele. Parte de mim, uma parte que se tornava cada vez mais forte o queria
por perto.
_Preciso
dormir Sebastian. _ eu disse com mau humor transbordado em minha voz.
_Dormir é
chato. _ prefiro que fique conversando comigo.
_Você nunca
dorme?
_Normalmente
eu durmo durante o dia, mas não nesses dias que estou com você por perto. Quem
precisa dormir? _Percebi que ele estava com outras roupas e seu cabelo estava
muito molhado.
_Você tomou
banho?_ estava surpresa.
_Sim. Espero
que não se importe._ ele sorriu e chegou mais perto de mim, quase me tocando. O
cheiro fresco de sabonete e shampoo, se misturava ao cheiro de sua pele. Minha
mente se anuviou momentaneamente.
_Eu não me
importo, mas onde encontrou roupas?
_Meu carro
está parado perto do calçadão aqui em frente._ Ele passou a mão pelo cabelo
tirando um pouco da água acumulada nas pontas. Sua camiseta branca estava
respingada como se ele não tivesse se dado o trabalho de se secar devidamente.
_Faz
sentido._ eu murmurei distraída com seus movimentos e sua perfeição hipnotizante.
_Está com
sono?
_Não muito._
eu tinha dormido quase o dia todo. Lembrei-me.
_Bom. _ ele
se sentou na cama e me puxou pela mão, me fazendo sentar ao seu lado. _Me diga
uma coisa, se você não fosse a Pura o que faria de sua vida?
_Não sei bem,
qualquer coisa._ eu pensei por um momento_ já sonhei com tantas coisas. Eu
queria ser atriz, depois cantora._ eu ri.
_Nem posso
imaginar a desgraça que faria com seu canto._ ele brincou.
_Mas agora,
mais madura, eu acho que seria professora. Adoro crianças e penso que seria
muito feliz ensinando boas coisas a elas. Minha mãe é professora sabia?_
perguntei.
_Sim, eu sei
que você costumava ir à escola com ela e ajudar com as crianças._ Ele
confessou. Fiquei chocada como ele tinha realmente me observado, mas deixei
passar.
_Isso foi
antes das coisas piorarem. Agora eu mal posso sair de casa com escolta. _ me
lembrei da briga do Rafa com os dois homens no estacionamento do shopping.
_Sei disso
também. _ ele adivinhou do que eu estava e lembrando.
_Me diz
Sebastian_ eu pausei. Ele me olhou com mais interesse_ se eu escolher um de
vocês...
_Quando você
escolher._ ele me interrompeu. Eu respirei fundo. Não estava convencida que
faria isso.
_Então, isso
vai parar? Quero dizer, vou poder ser vista como uma mulher normal?
_Entenda,
quando você completar vinte e um anos estará no auge de sua maturidade sexual.
O que faz os homens se atraírem por você, é na verdade sua libido não
satisfeita. É um sinal que seu corpo emite dizendo que você precisa ser
satisfeita sexualmente. Sei que você não tem consciência disso, mas é o que
acontece. _ ele disse pausadamente e me olhou, quando viu que eu estava
esperando, ele continuou _Quando você escolher seu macho, ele te manterá
satisfeita e assim o sinal não será emitido, ou pelo menos não com tanta
intensidade. Mas se por algum motivo você ficar em abstinência novamente tudo
volta. Você nunca será uma mulher “normal” como você diz Helene.
_Então se eu
já tivesse um namorado, quero dizer se eu tivesse..._ fiquei com vergonha de
falar a palavra, mas ele entendeu.
_Sim, mas
você não faria isso. Fiquei chocado quando você finalmente parou de resistir ao
Lobisomem, isso não era para acontecer. Talvez a genética da sua mãe esteja
intensificando sua libido. Eu estive pensando sobre isso. _ ele parecia distraído.
_O que quer
dizer?
_A Pura
rejeita os machos humanos por que os reconhece como sendo uma espécie inferior,
e rejeita seus candidatos porque ainda não está pronta para escolher entre
eles, mas com você isso parece ser... diferente.
_Diferente como?
_Parece ser
mais difícil para você resistir à atração e penso que talvez o Elfo não tenha
feito a escolha certa engravidando sua mãe. Ele tinha que ter escolhido uma
mulher recatada, com o sangue mais frio. Mas não foi isso que eu vi na senhora
Claudia._ ele riu, mas eu estava atônita com a revelação.
Eu era filha
de um Elfo? O que era isso afinal?
Sebastian
adivinhou meu pensamento, como sempre.
_Os Elfos não
habitam esse mundo. Eles pertencem ha um mundo superior, mas eles têm a
incumbência de virem aqui, uma vez a cada cem anos para criar a Pura. Fazem
isso para manter a vida equilibrada na Terra.
Aquilo estava
ficando cada vez mais confuso.
_Um Elfo?_ eu
soltei sem saber o que pensar.
_Eu sei que
você pensa que se lembra de seu pai, mas esse homem que se lembra não era seu pai.
Ele era o marido de sua mãe, mas você não é filha dele. Sua mãe foi seduzida
por um Elfo, mas nem mesmo ela se lembra disso. Ele apagou sua memória depois
de tudo. Precisava fazer isso.
_Isso é
terrível! Tadinha de mamãe._ eu disse triste. Confusa.
_Ela não foi
prejudicada. Com a troca de fluídos com o Elfo sua saúde se tornou perfeita e
ela viverá saudável por muito mais anos do que poderia.
Eu olhei para
ele perplexa.
_ É por isso
que eu nunca fico doente e nunca me esqueço de nada?_ ele assentiu com a
cabeça. _Como você pode saber de tudo isso?
_As raças
deviam conviver entre si harmonicamente. Cada um fazendo sua parte nesse
equilíbrio da sobrevivência. Mas por algum motivo os humanos se multiplicaram
mais e nos excluíram para os becos do mundo. Tivemos que nos esconder e
esconder tudo que se referisse a nossa existência. Há muitas gerações os
humanos vivem ignorando a nossa presença entre eles. Isso é necessário. Mas é
por isso que nem você, nem sua mãe, nem nenhum humano sabe sobre nada disso. Mas
nós, Ultra-humanos, lobisomens e vampiros, sabemos de tudo desde que nascemos.
Temos livros e mais livros que nos contam, o que para vocês são mistérios e
loucuras.
_Os
lobisomens sabem?
_Sim. Eles
sabem.
_Mas Rafael
não sabia. Ele nunca disse nada.
_Sou da
opinião que ele não acreditava. Com certeza seus parentes o advertiram, mas
essa geração "civilizada” não parece levar nada a serio._ ele disse
contrariado.
_Sim. Ele me
disse que seu pai tinha falado, mas ele não acreditou. Eu também não
acreditaria se não tivesse visto com meus próprios olhos.
_E sentido em
sua pele._ Sebastian deslizou as costas dos dedos pelo comprimento do meu
braço, muito suavemente. Senti a eletricidade em cada poro que ele tocava. A
queimação da necessidade ascendeu. Voltei meus olhos para os dele. Eles também
estavam aquecidos.
_Sebastian_
quase ronronei seu nome _ já que deu certo da primeira vez. Você não acha que
poderíamos tentar de novo, e ir um pouco mais?_ meu tom era de súplica.
_Continua
sendo muito perigoso._ ele disse, mas não havia determinação em sua voz.
Aproveitei isso e aproximei mais meu corpo do dele.
_Eu sou da
opinião que vale a pena correr o risco._ minha respiração já estava alterada de
antecipação. Os olhos dele estavam fixos nos meus com intensidade. Ele também
se móvel para mais perto de mim.
_Vai se
comportar dessa vez?_ seu tom era quase brincalhão.
_Eu não acho
que posso te garantir isso._ ele sorriu abertamente. Claramente satisfeito com
a minha confissão.
_Certamente
tem algo errado com a sua genética._ ele brincou.
_Por favor,
Sebastian._ implorei e toquei sua mão que estava apoiada na cama ao meu lado.
Ele desfez o sorriso lentamente. Seus olhos se tornaram negros como a noite e
ele me beijou. Não há como descrever o sabor e a sensação de seus lábios nos
meus. Sua língua na minha. O calor e o perfume de sua respiração no meu rosto.
Meu corpo era apenas uma chama acessa sendo consumido violentamente. Sebastian
separou-se de mim por um segundo. Só para alcançar a gola da minha blusa e a
rasga-la facilmente de cima a baixo. Isso me surpreendeu, mas o prazer de estar
sendo invadida por ele me tomou completamente. Em um movimento tão rápido que
não pude ver, eu estava deitada na cama com ele sobre mim. Sua boca estava na
minha de novo e suas mãos, agora corriam livremente pelos meus seios. Meu peito
buscava por um ar que não era suficiente. Minha mente estava cheia de nuvens
como um dia chuvoso. Não havia pensamentos nela. Não havia conflito, nem
dúvida. Só o que eu sentia era o desejo de me fundir cada vez mais naquele
homem. O fogo que consumia meu corpo aumentava, como se tivessem jogando
gasolina nele. O alívio por ser tocada onde Rafa me tocou estava lá, mas o
desejo devastador por mais o deixava quase insignificante. Por um impulso
passei minha língua pelos dentes de Sebastian buscando suas presas. Quando as
senti, um instinto desconhecido me fez querer senti-las em mim. Eu queria tudo
dele, e queria que ele tivesse tudo de mim também. Sem conseguir pensar no que
estava fazendo, virei meu rosto para o lado e ergui levemente o pescoço para a
boca de Sebastian. Ele congelou. Por um segundo senti seu corpo paralisado e
tenso em cima de mim, mas quando finalmente consegui abrir meus olhos, ele
tinha ido. Apertei meus olhos e tentei recobrar meu juízo. Estava tonta e
confusa. Sentei-me na cama sentindo o vazio que Sebastian deixou no meu corpo.
Ele não estava no meu quarto. Tinha sumido.
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