terça-feira, 19 de março de 2013

Cap. 9


Tomamos café e conversamos coisas alegres. Eu estava feliz e Victor também parecia estar. Fomos para o aeroporto de táxi. Victor já tinha devolvido o carro alugado. O motorista olhou para mim com interesse, mas nada exagerado. Ele perguntou o destino e Victor o respondeu. Já que eu não sabia nada de Frances. O dia estava nublado e com certeza não demoraria a chover. Caminhei naturalmente pelo aeroporto e em meio as pessoas. Eu ficava fascinada por poder fazer isso de maneira tão simples como nunca.
Confirmamos o voo e caminhamos para a plataforma. Tivemos que esperar pouco. Eu estava nervosa, mais o medo de voar tinha diminuído. A ansiedade por chegar em casa e começar logo minha nova vida estava me deixando sem tempo para pensar em outras coisas. Exceto em Sebastian. Ele não saia da minha cabeça. Eu não conseguia esquecer aquele rosto contraído e os olhos fixos em mim quando saí daquela casa.
_Victor_ eu chamei a atenção dele que estava conferindo o painel de pousos e decolagens do aeroporto. Ele se virou para mim imediatamente_ O que são as Bruxas? Alguma outra raça?
_Pode se dizer que sim, pela genética especial que é transmitida de mãe para filha, mas elas são basicamente humanas.
_Como você?
_Sim, mas assim como só existem vampiros machos, só existem bruxas fêmeas.
_Sério! E se eles tivessem filhos? Seriam bruxas ou vampiros?_ minha pergunta saiu sem pensar.
_ As sub-raças só podem ter filhos com os humanos que são mais neutros. Bruxas e vampiros não costumavam se unir, e mesmo quando faziam, eles não podiam ter filhos.
_Entendo._ mergulhei nos meus pensamentos. Sebastian tinha seus motivos para ser tão arredio. Ele era o único sobrevivente de uma raça em extinção. Mas ao contrário do que ele disse sobre não ser a melhor opção da raça e sim a única, eu achava justamente o contrário. Só o fato dele ter sobrevivido a despeito de tudo, o tornava o melhor e mais forte de todos.
_Vamos._ Victor me tirou os meus pensamentos_ Já estão embarcando. _ eu me levantei e o segui para o portão de embarque. Atravessamos a plataforma e o grande avião tinha suas escadas á minha frente. Victor subia primeiro, mas quando eu coloquei o pé no primeiro degrau uma força desconhecida me fez olhar para trás.
Era Ele. Sebastian caminhava suavemente em minha direção. Seus olhos estavam apertados, incomodados com a luz do dia. Ele era uma criatura da noite, assim como a Lua e as estrelas. E também era tão misterioso e lindo como elas. Suas roupas totalmente negras que se destacavam tanto na ensolarada Rio das Ostras estavam perfeitamente adequadas àquela cidade sofisticada que era Paris.
_Sebastian._ eu sussurrei mais para mim mesma quando parei e dei espaço para que as outras pessoas embarcassem na minha frente. Enquanto ele se aproximava mil pensamentos vinham a minha cabeça. Será que ele iria para o Brasil comigo? E Katherine, ela teria aberto mão dele? Não achava isso provável, mas meu coração se enchia mais de esperança a cada passo que o trazia para mim. _Sebastian._ repeti quando ele parou na minha frente. Ele não disse nada, apenas me puxou gentilmente para seus braços num abraço carinhoso. Seu rosto deslizava nos meus cabelos suavemente. Fui inundada com seu perfume indescritível. Donos de laboratórios de perfumaria venderiam suas almas para colocar aquela fragrância em frascos. Seria uma fonte de fortuna, eu pensei bobamente enquanto sentia o calor de seu corpo no meu e o aperto firme de suas mãos. Não resisti ao desejo de tocar seu cabelo macio e logo estava com meus dedos agarrados em sua nuca. Sebastian virou seu rosto para me encarar e seus olhos estavam negros. Ele franziu a testa como se tentasse resistir ao impulso, mas foi inútil. Seus lábios tocaram os meus no beijo mais doce que eu já havia provado. Ele também me segurou pela parte de trás de minha cabeça e seu aperto aumentava junto com minha excitação. Era uma sensação muito forte e em segundos eu não me lembrava de mais nada. Não sabia onde estava e nem quem ele era, ou mesmo quem eu era. Eu só sentia. Sentia seu calor, seu gosto seu corpo. E queria mais, muito mais. Sem que eu pudesse impedi-lo, ele se afastou lentamente de minha boca. Foram apenas alguns centímetros, mas não podia mais sentir seu sabor. Quis estreitar mais a distancia, mas ele me continha, resistia.
_Oh Helene. Está tão linda!_ ele murmurou no meu ouvido _ Eu sinto muito.
_Sente pelo que?_ perguntei ainda anestesiada. Meu corpo parecia flutuar em uma nuvem.
_Vim apenas me despedir, mas resistir a você é simplesmente impossível. Tão doce. Tão quente. Não resta dúvida que seu pai Elfo não seguiu o protocolo quando escolheu os genes de sua mãe. Acho que ele é quem foi seduzido por ela._ ele brincou, mas era uma brincadeira quase triste. Eu lembrei que ele tinha me dito que eu tinha mais libido que uma Pura deveria ter, e ele culpou a minha mãe por isso. _Foi feita pra mim. _ ele murmurou ainda mais baixo. Um suspiro que quase não pude ouvir enquanto afundava seu rosto no um cabelo.
_Você vai ficar?_ me arrependi por ter perguntado no momento que disse as palavras. Era lógico que ele iria ficar. Ficar com a bruxa fria e fútil.
_Eu só não podia deixar você ir embora com aquela imagem minha, Helene. _ ele explicou com uma expressão de desgosto. Eu vi que ele estava triste. E tudo que eu queria evitar era vê-lo triste. E os outros também. Eu pensei que se eu os libertasse todos poderiam viver suas vidas e buscar por sua felicidade. Sem estarem amarrados a mim. Mas Sebastian não seria feliz com aquela mulher.
_Por que você vai ficar com Katherine? Ela o está obrigando? É por mim que está fazendo isso?_ eu estava agitada.
_Ela não pode me obrigar a nada e não é por sua causa. Ficarei um tempo aqui, depois saio pelo mundo de novo. Não tenho nada melhor para fazer no momento._ ele disse cansado.
_Nada melhor do que ficar com aquela garota ... _ eu procurei um jeito de parecer menos ofensiva.
_Fútil, infantil, egoísta e má? _ ele completou sorrindo travesso_ Eu não sou muito diferente dela, não se engane Helene, eu apenas não sou hipócrita.
_Você não é nada disso._ eu disse com tristeza que ele pensasse assim de si próprio.
_Talvez eu não seja assim quando estou com você, mas isso não importa agora. Deve ir ou seu avião partirá sem você. _ ele me abraçou mais uma vez, só que muito brevemente.
_Vou ver você de novo?_ pedi miseravelmente.
_Quem pode prever o futuro é Victor._ ele debochou _ mas vou tentar ficar longe. Não vou interferir na sua “vidinha normal”. Não se preocupe. _ ele sorriu de novo tentando ser sarcástico, mas falhou. Vi o desanimo escondido em seus olhos. _Vá logo e dê lembranças a sua mãe. Ele se afastou de mim e já se virava para ir embora. Olhei para o avião e vi Victor de braços cruzados em frente ao peito, nos olhando com cara de poucos amigos. Quando me virei para Sebastian de novo ele estava longe caminhando de costas para mim.
_Sebastian, obrigada!_ eu gritei. Ele não se virou, apenas levantou brevemente sua mão esquerda em um aceno _ obrigada por tudo._ conclui baixinho. Estava chorando. Uma angustia sufocante e um sentimento de perda enorme me torturava. Olhei Victor que me esperava e subi no avião.
_ Me desculpe Victor._ pedi quando ele sentou ao lado no avião. Ele não me olhava apenas suspirou. Sequei minhas lágrimas e tentei me recompor.
_Desculpas aceitas._ ele disse amargo _ A culpa não foi sua mesmo. É só Sebastian que não consegue deixar de ser ele mesmo.
_Ele está fazendo um grande sacrifício por mim. Você não acha que ele merece algum desconto?_ eu era acima de tudo muito grata a Sebastian por ter me dado uma oportunidade de ter uma vida que sempre desejei. Só ele pôde fazer isso por mim, e ele sacrificava sua própria oportunidade de ser feliz para me dar isso.
_Ele só faz isso porque acha que você não o escolheria mesmo._ ele atirou. Victor estava mais irritado que eu imaginava que ele poderia.
_Porque você está tão bravo?
_Porque ele te beijou escandalosamente ha minutos atrás._ ele me encarou como se aquilo fosse óbvio demais para que eu tivesse perguntado.
_Sim, mas eu e você não somos namorados, então..._ eu não tinha pegado a lógica daquilo.
_Helene. Você é a Pura. Nunca vai deixar de ser. E agora que você nos liberou eu não posso reivindicar o beijo que ele te deu. Qualquer um de nós pode estar com você sem nenhum compromisso ou consequência e isso é...
_Uma bagunça. Eu sei, mas o que você quer Victor? Quer ter o direito de me beijar também? É por isso que está bravo?
_Se fossem seus beijos sem compromisso que eu quisesse teria tentado seduzir você no hotel, ou nos passeios que fizemos. Eu não fiz isso, e não foi por falta de vontade. Fiz por respeito a sua decisão de deixar a nós três para viver sua vida humana. Uma vida que nunca teria com algum de nós. Nem comigo.
_Mas você vive entre os humanos.
_Sim, mas meus dons são um segredo que tem que ser mantido de qualquer forma. Nossos filhos seriam como eu e teríamos que educa-los longe das outras crianças até que eles pudessem manter sigilo de seus poderes, e muitas outras coisas seriam diferentes. Eu não estou com humor para falar sobre isso agora. _Ele bufou_ Victor não respeita nada. Ele vem e beija você na primeira oportunidade que tem. Eu estou surpreso que não tenha ficado lá com ele. Com a nossa ligação desfeita, você poderia facilmente ser seduzida, com qualquer mulher que ele toca.
Eu estava pasma. Fazia sentido. O vampiro era um sedutor por sua natureza e agora que eu não tinha a contra balança da ligação com Victor ele poderia ter me seduzido.
_Mas isso daria certo?_ eu estava alarmada _ Se ele me seduzisse sem que fosse ele a escolha da Pura, poderíamos ficar juntos?
_Eu não sei._ Victor ficou ainda mais irritado com a direção da nossa conversa_ Isso nunca aconteceu.
_ Bom, em todo caso, quem fez a bagunça toda fui eu. E Sebastian não usou isso a seu favor._ Victor me olhou acusadoramente _ Não totalmente, afinal eu estou aqui indo para casa, não estou.
_É. Você está._ ele concordou finalmente, mas seu humor não melhorou de pronto.
Meus pensamentos giravam, mas de uma coisa eu tinha certeza, eu tinha que manter distancia dos três daqui por diante. Já que eu decidi abrir mão de escolher um deles teria que ficar sem nenhum. Isso seria seguro, justo e... doloroso. Eu gostava mesmo deles. Cada um havia me conquistado de um jeito diferente, mas na mesma intensidade. Eu conhecia Sebastian e Victor ha tão pouco tempo, mas eles já faziam parte da minha vida. Imaginei então o que seria de mim sem Rafael. Não, eu não poderia imaginar isso. Fiquei calada e pensativa por toda a viagem. Victor pareceu se acalmar depois de algumas horas, mas também não falou muito. Eu não me sentia culpada por ter beijado Sebastian. Era como ele disse, eu simplesmente não podia evitar. A atração que o vampiro exercia sobre mim era irresistível. Se ele quisesse poderia ter feito de mim o que quisesse. Eu teria ido com ele se ele tivesse me pedido e estaria alegremente em seus braços agora. Balancei a cabeça tentando tirar esse pensamento. Não era seguro pensar em Sebastian. Aquilo que eu sentia por ele não era natural, nem especial. Era somente uma reação genérica das mulheres por ele. Eu não seria feliz sabendo que estava sendo manipulada por meus hormônios. Eu precisava pensar no futuro humano que eu escolhi. Poderia estudar mais, trabalhar e fazer novos amigos. Um mundo novo se abria na minha frente. Um mundo que eu assistia na TV e sonhava poder estar nele. Agora eu poderia.
Não consegui dormir um minuto sequer na viagem de volta para casa. Minha mente e meu corpo estavam cansados, mas alertas. Desembarcamos no Rio de Janeiro e Victor pegou seu carro que estava no estacionamento do aeroporto.
_Você é muito legal por me trazer para casa depois de tudo. _ eu disse em reconhecimento sincero.
_Não supervalorize uma pequena gentileza. Você merece ser muito bem tratada pela importância que tem. _ ele disse com um sorriso confortável_ E também merece pela pessoa que você é, independente disso tudo.
_Sério? Existe algo em mim independente disso tudo?
_Claro que existe bobinha. Você tem uma personalidade única, como todo mundo afinal de contas, do contrário não estaria indo na direção inversa do destino. _ ele sorriu mais largamente. Estávamos chegando à minha casa e meu peito se apertou quando vi que se aproximava o momento de mais uma despedida. Eu provavelmente nunca mais veria aquele sorriso arrasador de novo. _O que foi?_ ele perguntou quando viu meu rosto cair.
_Vou sentir sua falta. _ confessei mesmo sabendo que estava sendo egoísta com ele.
_Entendo. _ ele ficou sério_ Me custa muito deixar você, mesmo que seja para a sua felicidade.
_Eu sei. Não devia ficar assim, mas não consigo evitar.
_Tudo vai passar com tempo. Você vai esquecer isso tudo._ ele tentou melhorar as coisas.
_Não posso me esquecer de nada Victor, você não sabe?_ eu disse desanimada.
_Oh, é mesmo. Desculpe, me esqueci._ ele deu uma risada gostosa e tive que rir com ele.
Estávamos parados em frente à praia onde eu morava. Eu olhei o mar que me viu crescer e me senti em casa. Só não estava totalmente segura agora que sabia que ficaria sozinha. Tive medo daquele vazio que senti no quarto do hotel em Paris. Torci para que aquilo fosse porque eu estava em um lugar estranho, longe de casa. Victor me ajudou a levar as malas até a porta de casa, mas não quis entrar. Era fim de tarde e logo minha mãe chegaria do trabalho, então ele não queria ter que se despedir dela também.
_Você vai ficar bem?_ ele perguntou com um olhar tão doce que me abalou intimamente. A ligação estava desfeita, mas ele ainda parecia me amar. Como isso funcionava? Eu me perguntei.
_Vou sim, não se preocupe. Só vou sentir sua falta. Você poderia vir me visitar se quiser._ disse esperançosa.
_Sabe que isso não seria o melhor para você. Precisa seguir em frente, se vai viver uma vida humana, terá que conviver com humanos.
_Você acha que eu sou louca por fazer isso não é?
_Louca não, mas não compreendo muito bem a lógica disso, tenho que confessar, mas vejo em seus olhos que é o que acredita que precisa, e Helene, nós só podemos viver dentro daquilo que acreditamos. Não há outro caminho a seguir.
_E em que você acredita Victor.
_Eu? _ ele franziu o cenho perfeito_ Agora mesmo estou buscando novas crenças._ aquilo cortou meu coração já abalado. Eu estava acabando com as esperanças dele também. Victor era o mais confiante de ser escolhido. Apesar de nunca ter sido arrogante com isso. Ele era o que tinha mais chances e por isso é o que mais estava perdendo.
_Sinto tanto._ estava banhada em lágrimas de novo_ Obrigada por tudo Victor e me desculpe.
_Ah não faça assim Helene. Não se culpe. Talvez não tivesse mesmo que ser. Talvez os planos de Deus tenha mudado, por isso o lobisomem te atacou daquele jeito. Pelo menos você não teve que morrer e agora pode viver sua vida feliz. _ ele me envolvia ternamente em seus braços, mas não me manteve ali por muito tempo. Antes que eu pudesse estar preparada para me despedir ele me beijou a testa com ternura e se afastou.
_Adeus, linda Helene. Tenha uma bela vida._ ele falou com seu sotaque charmoso e seus modos de cavalheiro do século XVI.
_Adeus gentil Victor. Seja feliz._ eu o imitei tentando disfarçar minha dor. Em segundos ele tinha partido para sempre e o vazio cresceu no meu peito.
Mamãe não demorou a chegar. Eu estava na cozinha fazendo um chá de camomila com maçã quando ouvi a porta se abrir. Ouvi sua voz tão familiar e percebi o quanto estava com saudades dela. Mas tinha outra voz a acompanhando. Ela não estava sozinha. E um frio correu pela minha espinha dorsal. Reação instintiva às vozes masculinas estranhas na minha casa.
_Filha você está aí?_ mamãe deve ter visto minhas bagagens ainda na sala. Eu esperei que ela viesse até mim na cozinha.
_Oi mãe._ eu disse colocando minha xícara na mesa e indo abraça-la. Meus olhos não se fecharam atrás dela, eu procurava pelo visitante misterioso. Um homem de meia idade parecendo muito distinto surgiu na porta. Ele tinha um rosto benigno e seus cabelos grisalhos bem cortados davam-lhe certo charme. Ele me olhava com curiosidade, mas não teve a reação que eu temia._ Senti sua falta._ eu respirei aliviada que o feitiço estava funcionando e pude relaxar nos braços de minha mãe.
_Eu é que senti filha, você não imagina. Como está linda! Deixa-me ver você._ ela se afastou de mim e correu os olhos pelo meu corpo e voltou a me olhar nos olhos_ Linda demais, mas parece triste, o que foi?_ ela estreitou os olhos e se voltou para olhar seu convidado, de repente se lembrado que ele estava ali e medindo a sua reação, como eu tinha feito. Ele continuava quieto com um sorriso agradável no rosto esperando ser apresentado. Mamãe se iluminou quando viu uma reação tão positiva. Ela abriu um largo sorriso._ Funcionou! Deu certo. É maravilhoso!_ ela me abraçou de novo e logo me soltou e foi em direção ao homem_ Helene esse é Rodolfo. Nós estamos nos conhecendo e... _ ela parecia não saber como definir o relacionamento deles.
_Sou o namorado de sua mãe._ ele completou com bom humor_ É um prazer finalmente conhecer você._ ele me ofereceu sua mão com entusiasmo. Eu regredi na mesma hora lembrando que se eu o tocasse ele estaria ultrapassando os limites do bloqueio.
_O prazer é meu._ eu disse, me esquivando_ desculpe não pegar sua mão, mas estou com um problema e não posso tocá-lo. _ ele olhou confuso para minha mãe. Ela também não estava entendendo. Eu resolvi ser direta e verdadeira, afinal se eles tinham um relacionamento teriam que entender minhas limitações._ Mãe. Você sabe aquele problema que eu fui resolver na França? _ ela concordou com a cabeça_ Então, eu consegui uma solução paliativa que nada adianta se encostarem em mim._ vi no olhar de mamãe que ela entendeu.
_Então é isso. Isso já é um grande avanço. _ ela disse animada. O tal Rodolfo continuava nos olhando sem entender_ Querido eu te explicarei tudo depois, agora vamos tomar um chá e ouvir sobre a viagem de Helene. _ ele concordou e eu gelei. O que poderia dizer a eles? Sobre as compras e os passeios. Sim, isso estava bom.
Depois de muitos chás e conversas, descobri que Rodolfo era um cara muito legal e bem humorado. Mamãe ria de tudo que ele dizia. Eles estavam visivelmente apaixonados e felizes. Entreguei os presentes que trouxe para ela que adorou tudo. Depois levei minhas roupas para o quarto. Ela deixou seu namorado abandonado na sala vendo TV para me ajudar a guarda-las no meu guarda-roupa. Tirando todas as velhas e colocando as novas. Tive que segurar algumas coisas de minha preferencia, ou ela teria jogado tudo fora.
_Estou muito feliz por você meu amor._ mamãe me abraçou e novo_ Mas por que parece estar triste?
_ Eu tive que me despedir de Victor e de Sebastian. Vou sentir falta deles._ disse a versão simplificada da verdade.
_Mas, por quê?  Eles foram embora porque você não escolheu nenhum dos dois?_ ela tinha o cenho franzido de novo_ ou foi por que o encanto acabou? Não me diga que foi isso que os afastou?
_Não foi isso. Na verdade, eu vi que nenhum deles tem nada haver comigo. Nossas vidas são totalmente diferentes.
_Entendo. Então você considera o Rafael?
_Não, nem ele. _ suspirei profundamente.
_Filha eu não entendo você, se quisesse mesmo ficar sozinha estaria feliz em dispensar esses homens lindos que te querem, mas você não está. O que pretende? Eu sei que você não teve nenhum relacionamento para saber, mas não vai encontrar nenhum que seja perfeito, ou livre de problemas. Sempre temos que abrir mão de coisas para termos outras.
_Eu sei, mas está dizendo que se eu me casasse com o Victor e tivesse que ir para outro país com ele estaria tudo bem? E você mamãe?
_Querida, se você o amasse de verdade não deveria pensar em mais nada, nem em mim. Eu sentiria sua falta, mas você é uma mulher adulta e deve viver sua vida. Não sou dependente de você e nem você de mim, não mais.
_Você tem razão. Eu acho que estou muito perdida e não sei o que devo ou não fazer. Nunca tive tantas opções.
_Ah meu amor! Não fique assim, na sua idade nada é definitivo. Tome seu tempo para colocar as coisas no lugar, então estará mais preparada para decidir a sua vida._  ela sorriu e eu sorriu de volta tentando fazê-la se sentir melhor, mas meu coração se apertou ainda mais ao lembrar que eu já tinha feito escolhas definitivas, mesmo antes de estar preparada. _ Agora descanse. Amanhã será um novo dia para você. Um dia de liberdade total. Será maravilhoso! E vamos poder planejar uma grande festa de aniversário. Tenho vários amigos que querem te conhecer.
Meu aniversário! Eu nem estava lembrando mais disso. Seria depois de amanhã. Será que eu mudaria depois que completasse vinte e um anos?
Quando finalmente minha mãe me deixou sozinha no quarto eu me joguei na cama e me rendi ao desanimo. A atmosfera pesada sobre mim, era o que me deixava cansada. Eu não tinha me arrependido de ter feito nada, sabia que era tudo parte do que era necessário para conseguir a vida que eu queria, mas ainda assim, sentia os efeitos da energia escura que Katherine me envolveu. E também sentia a profunda solidão por ter liberado meus pretendentes. Essa última era a pior. O vazio que tinha por dentro me consumia completamente agora. O ar entrava em meus pulmões que pareciam grandes demais. Meu coração batia muito leve, como se estivesse completamente vazio.  O sentimento era muito ruim.
Percebi que ficar deitada sem dormir não estava me fazendo descansar, só me concentrava no mal estar que estava sentindo, então me levantei para ir tomar banho e poder dormir. Torcia para que conseguisse. Fui até o armário e peguei uma camisola de ceda que tinha visto na vitrine de uma loja cara de Paris e tinha me apaixonado. Ela era longa justa ao corpo. Sua cor era de um vermelho profundo e fascinante. Victor insistiu para que eu experimentasse. Eu nem queria entrar na loja, claro, o luxo era intimidador demais, mas ele não me deixou sair de lá sem me presentear com ela. Decidi usá-la na minha primeira noite em casa, na minha nova vida.
Dessa vez a água não me ajudou muito. Eu estava  realmente cansada e angustiada. A dúvida de se minha decisão tinha sido a coisa certa ou não, me torturava cada vez mais. Mas como Victor disse, era no que eu acreditava e não podia agir de outra forma. Saí do banheiro secando os camelos com uma toalha.
_Helene._ tomei um susto e me virei imediatamente para a janela. Rafael estava lá parado com o rosto mais tenso que já tinha visto nele, salvo aquele dia da transformação. Quis tirar aquela imagem da minha cabeça e recebe-lo amigavelmente, mas sua expressão sombria não me permitiu isso.
_Rafael, o que está fazendo aqui?
_Preciso falar com você, é muito sério. _ ele me olhava com o rosto contraído, como se não estivesse me reconhecendo.
_O que há de errado com você?_ perguntei confusa e com medo.
_Eu é que pergunto, o que diabos fizeram com você? _ ele rosnou. Entendi que de alguma forma ele podia ver o bloqueio escuro a minha volta. _ Júlio tinha razão. Poluíram você! Mas por que fizeram isso?
_Ninguém me poluiu Rafa, eu pedi para que me ajudassem a ser normal e esse foi o único jeito._ expliquei sem vontade e voltei ao banheiro para pendurar minha roupa. Quando me vi no espelho lembrei que estava naquela camisola absurdamente sensual e fiquei constrangida por Rafa ter me visto assim. Tinha que pedir para ele ir embora, afinal já era tarde e eu estava cansada da viagem, mas antes eu queria saber por que ele tinha invadido meu quarto, ele não costumava fazer isso, era um hábito de Sebastian. Sacudi minha cabeça para me livrar desse pensamento_ E quem é Júlio?_ voltei para o quarto, me sentei na cama e me cobri com a colcha.
_Júlio é o lobo Alfa. _ ele vacilou um pouco e caminhou na minha direção_ Helene o que fizeram com você foi errado, transgrediram todas as regras que envolvem a Pura. Júlio não vai permitir isso e eu tive que implorar para vir falar com você antes dele. Entenda eu tenho que obedecê-lo, não tenho escolha.
_Ele virá aqui falar comigo? Falar o que?_ eu o encarei confusa_ Rafa depois de tanto tempo sem ver você e quando aparece é com essa conversa?
_Helene, é sério. Eu vim falar com você, mas ele vai leva-la, querendo ou não. _ seu rosto estava contrariado.
_Me levar para onde?
_Não se preocupe ninguém vai te machucar. Ele apenas quer garantir que a Pura cumpra seu destino.
_Eu não vou a lugar nenhum Rafa, eu não quero cumprir nenhum destino da Pura. Fui à Paris para encontrar a bruxa que podia mudar tudo. Não quero escolher nenhum de vocês. Eu não quero._ eu estava desesperada e irritada. Quem esse tal Júlio alfa não sei do que, pensava que era para interferir na minha vida.
_Não terá que escolher mais._ Rafa disse cuidadosamente_ Júlio sabe que você dispensou os outros, nós temos uma anciã, esposa de um dos lobos que tem poderes e pôde ver tudo o que você fez. Ela disse que agora você só tem uma escolha, eu._ vi um brilho fraco nos olhos dele_ Então quando você completar vinte e um anos me escolherá e poderemos purificar nossa raça. Isso é muito importante para a matilha.
_Isso é um absurdo! Eu não posso dispensar você, então será meu escolhido? _ eu gritei.
_É no que todos lá acreditam._ ele estava constrangido.
_Rafa, eu sei que você gosta de mim, mas não acredito que usaria desse tipo de artifício para que eu fique com você.
_Eu nunca faria isso Helene, mas não estou no comando, eu tenho que obedecê-lo. Peço que venha comigo, antes que eles venham aqui para leva-la contra sua vontade. Os lobisomens não são maus, mas eles são muito facilmente irritáveis e estão aborrecidos com a sua atitude. Sentem-se prejudicados pela Pura já por séculos, quando elas não os escolhiam, agora você abre mão de tudo nos tirando outra chance. Não vão deixar. Eu sinto muito.
_Está me dizendo que se eu não for por vontade própria eles vão me sequestrar?_ mal terminei a frase e ouvi um uivo alto do lado de fora da casa e meu corpo estremeceu.
_Helene, precisamos ir. Será melhor não envolver sua mãe nisso._ minha mãe, eu pensei, ela deve ter ouvido o lobo.
_Meu Deus! Mande-o embora.
_Não posso. Só vão sair daqui com você.
_Por que tenho que ir junto? O que eles querem?
_Querem garantir que você esteja perto de mim para me escolher, por que se você for para longe isso pode nunca acontecer.
_Isso não é justo Rafa!
_Eu sei. Eu sinto muito, mas te imploro Helene. _ Rafa veio em minha direção, mas antes que ele chegasse, um homem enorme surgiu no meu quarto. Ele era mais moreno do que Rafa e duas vezes maior em musculatura. Eu tremi quando o vi caminhando até mim. Ele não disse nada apenas me apanhou nos braços como se eu fosse uma boneca de pano e me levou para a janela.
_Me solta! _ eu gritei, mas me arrependi. Se minha mãe ouvisse ela viria ver o que estava acontecendo e eles poderiam fazer algo com ela.
_Júlio, eu a levo, eu disse que levaria._ Rafa pediu enérgico, mas com respeito.
_Demora demais. Não temos a noite toda. _ ele me segurou possessivamente e quando ele me olhou vi o desejo nos olhos dele. Seu rosto era vincado e duro. Podia dizer que era jovem, mas a rigidez de suas expressões o tornava sério como um homem velho. Era de uma beleza forte e rude. _tive medo. Muito medo. Ele estava me tocando, então o feitiço não me protegia dele. O que aquele homem gigante faria comigo?
Ele não se demorou com conversas. Com um movimento rápido me levou para fora da janela e correu comigo em seus braços para as pedras. Agarrei-me em seu corpo instintivamente, com medo da velocidade que ele corria. Estava apavorada demais para falar alguma coisa. Desejei não ter colocado aquela camisola, a seda roçava na minha pele e nos braços fortes de Júlio. Eu podia sentir a provocação que aquele tecido fino fazia nele, mas ele resistia. Existia uma firme determinação dentro daquele homem. Mas até quando ele aguentaria? Isso era difícil saber.
 Meu único conforto era ver Rafa correndo ao nosso lado o tempo todo. Subíamos e descíamos no meio a um matagal que eu nem sabia que existia ali. Aos poucos percebi que não estávamos sós, passos pesados e sons de rosnados estranhos estavam a nossa volta. Era assustador. Imaginei outros lobisomens, mas eles deveriam estar totalmente transformados escondidos na escuridão da mata.
Não sei por quanto tempo fui carregada. Pareceu uma eternidade. Eu queria gritar, mas não conseguia. Sentia-me estranhamente presa nos braços daquele homem estranho e medonho.
Chegamos a uma espécie de clareira e logo vi luzes acesas e as sombras de pequenas casas. Júlio me levou até uma delas e me colocou em um quarto que tinha uma cama de solteiro e uma mesinha apenas. Rafa entrou junto conosco e não tirava os olhos de mim nem por um segundo.
_Ela ficará aqui. Amanhã Dona Berta virá retirar o feitiço.
_Não._ disse tentando me levantar, mas estava tonta e fraca_ o Homem rude só olhou para mim por um segundo, mas ele me ignorava o tempo todo.
_Ela não vai tentar fugir. Não terá forças para isso. A escuridão a sua volta lhe consome a cada hora. Mas você Rafael, nem pense em tentar leva-la. A casa está cercada e as consequências não seriam boas para você se tentasse. _ Rafael o encarou furioso, mas algo no olhar firme de Júlio o fez baixar o olhar lentamente.
_Helene, me perdoe._ Rafa se abaixou perto da cama quando ficamos a sós_ Tiraria você daqui se pudesse, eu juro.
_Eu não entendo Rafa, eles não têm o direito de fazer isso comigo._ minha cabeça girou ainda mais com minhas palavras e eu tive que me deitar. O travesseiro tinha o cheiro de Rafa, então imaginei que deveria ser onde ele dormia agora que morava junto com a matilha. Seu cheiro gostoso e familiar me acalmou.
_Eles pensam que tem esse direito. Eu sinto muito.
_Você não pode se negar... a ficar comigo?_ eu me esforcei a dizer, minha consciência quase se perdendo.
_Como eu me negaria a você? Seria como arrancar o meu coração._ ouvi sua voz sumindo e afundei na inconsciência.
Liberta! Limpa! Vá embora toda sombra!”
Uma voz rouca e firme penetrou em meus sonhos confusos e me trouxe lentamente de volta a vigília. Abri os olhos, piscando várias vezes para focar as imagens. O quarto estava escuro, a luz fraca que vinha da janela era insuficiente para me permitir distinguir todas as formas, Imaginei que estivesse quase amanhecendo, mas mesmo com pouca luz, pude ver que a pessoa ao lado da cama, que falava com tanta propriedade, era uma mulher pequena e idosa. Ela tinha cabelos muito escuros, curtos ou presos, e sua pele apresentava rugas finas em volta dos olhos que permaneciam fechados enquanto ela fazia uma espécie de oração, com as mãos estendidas em direção ao meu corpo deitado.  

Cap. 8


O banho me ajudou a colocar meus nervos no lugar. Eu não tinha motivos para estar tão... enciumada. Essa é a palavra que eu demorei a admitir, mas não tinha outra que se explicasse a minha reação, mesmo sendo irracional, afinal, por que eu ficaria com ciúmes de um homem que estava prestes a abrir mão?
 Saí do banheiro e me vesti. Fiquei mais desanimada quando imaginei que os dois provavelmente estariam me espreitando, ansiosos por alguma atitude minha. Eu os havia expulsado, então eles iriam esperar para serem convidados de novo. Até Sebastian que poderia ser considerado rude ás vezes, respeitava esse ponto.
Respirei fundo e busquei alguma força invisível que me ajudasse a consertar aquela bagunça que eu tinha feito. Sentei-me na cama e senti meu coração acelerar. Respirei novamente e o acalmei um pouco antes de chamar.
_Sebastian, pode vir aqui um minuto, por favor?_ eu disse baixo. Sabia que de alguma forma ele podia me ouvir. Ele não demorou dois segundos para se materializar diante de mim. Seu rosto estava tenso, ansioso. _ Quero pedir desculpas. _ falei antes de minha voz sumir ou dele me desviar do meu objetivo, como ele sempre fazia.
_O que foi aquilo? Foi o que Victor disse? Você ficou escandalizada com... _ ele franziu o rosto com alguma amargura.
_Não. Escandalizada não. _ eu baixei meus olhos desviando dos dele. Ele suspirou de frustração com eu previ que ele fizesse por eu estar escondendo meus olhos dos dele _ Eu fiquei com ciúmes, eu acho._ confessei envergonhada.
_Ciúmes? _ ele se inclinou para baixo e buscou meu rosto com sua mão puxando-o para encará-lo. _Você estava com ciúmes de mim?_ isso parecia ser divertido para ele. Eu apenas confirmei com a cabeça. O que mais ele queria? Eu já estava admitindo não estava? Ele precisava tripudiar? Seu sorriso iluminou brevemente seu rosto antes dele colocar a expressão presumida que lhe era mais familiar_ Ás vezes eu me perco no tempo. Isso acontece quando se é tão velho. _ ele brincou.
_Não entendo o que você quer dizer.
_Ha alguns séculos, as mulheres eram muito mais tolerantes com a sexualidade masculina. A sociedade era mais permissiva para os homens, você sabe. É um contra senso. As mulheres conquistaram tanta liberdade sexual, mas sonham com parceiros puros e fieis. Pura contradição. _ele estava divagando.
_Você acha errado ser fiel?_ o ultraje saiu forte na minha voz.
_ Claro que não. Eu nunca fui fiel a uma mulher no entanto, mas acho a ideia muito interessante. O que eu não entendo é como as mulheres querem seus maridos fieis quando há tantas outras disponíveis e liberais para ele. Torna-se muito difícil._ seu divertimento era ofensivo.
_Difícil! _eu gritei. Estava furiosa de novo_  Você seduz as mulheres, transa e se alimenta delas, deixando-as loucamente apaixonadas por você, separadas de seus maridos e com suas famílias desfeitas e ainda acha isso normal? O que você é? Um canalha! _ Eu estava explodindo de raiva, mas senti na expressão dele que tinha ido longe demais, me arrependi logo que as palavras saíram. Ele me olhou confuso.
_Canalha? Essa é a definição de um homem desonesto e mentiroso. Eu não acho que seja o meu caso. Eu nunca fiz essas coisas que me acusa.
_Não? Então como é que você faz?_ minha voz não estava com a mesma determinação.
_Eu preciso da relação sexual com elas para me alimentar, e consequentemente elas se apaixonam, tentei inúmeras vezes evitar as duas coisas, mas foi impossível, então eu apago as memórias delas depois. Elas não se lembram de mais nada, nem de mim. Sei que parece horrível, mas foi o único jeito que encontrei de não arruinar com a vida delas. _ Sebastian parecia desconfortável, ele não estava acostumado a dar explicações a ninguém estava claro no seu rosto desfeito_ Quanto ás mulheres casadas, _ ele continuou ainda mais constrangido_ não vou mentir e dizer que nunca escolhi uma, mas em alguns lugares não tinha uma boa opção de mulheres iniciadas sexualmente, então entre desonrar uma virgem ou uma mulher casada eu sempre preferi a segunda opção._ ele sorriu como se isso explicasse tudo.
_Nenhuma delas se lembra de nada depois?_ aquilo me fez sentir um pouco melhor, mas só um pouco. Continuava sendo um desrespeito, mas pelo menos ele não tinha uma legião de mulheres loucas por ele espalhadas pelo mundo.
_Sim. Na grande maioria das vezes._ ele franziu o cenho brevemente como se lembrasse de algo desagradável _ Mas nunca jurei amor eterno a ninguém Helene. Até porque eu não posso amar ninguém. _ ele se interrompeu de repente. Seus olhos se tornaram mais escuros. Eu o estava encarando com raiva_ Ninguém além da pura._ ele disse finalmente e caminhou para longe de mim. _Você já está pronta para ir? Essa conversa não está levando a lugar nenhum.
_O que você quer dizer? Por que você não pode?_ eu sabia que tinha mais por trás daquela revelação.
_Isso não importa._ ele disse levantando os ombros, ainda virado de costas para mim. Eu ainda estava irritada, mas curiosa demais para deixar passar. Levantei-me e fui até ele.
_Eu sou a Pura no momento, então acho que isso me importa.
_Você está muito confusa ou distraída demais para perceber coisas que estão bem na sua frente._ ele se virou para me olhar. Eu continuei sem entender, então ele suspirou e continuou_ Eu não sou sua melhor opção da raça dos vampiros Helene. Eu sou sua única opção, sinto muito por isso._ ele mostrou um sorriso amargo_ Os outros Victor e Rafael, quando não forem escolhidos por você, poderão viver suas vidas alegremente. Estarão liberados do vínculo para se apaixonarem e se unirem a outras mulheres. Poderão ser substituídos por outros quando a Pura surgir, mas isso não acontece comigo. Eu estarei sempre à disposição da Pura. Até que ela me escolha, ou até que alguma delas me escolha. Eu não posso amar nenhuma outra mulher. _Fiquei congelada olhando pra ele. Tinha dor e vazio naqueles profundos olhos azuis. Sebastian era uma vítima muito maior que eu daquela trama cruel do destino. Ele não tinha como fugir daquilo. Era um eterno prisioneiro. Eu quis escolhe-lo naquele instante. Eu pensei que se ele não fosse o que mais merecesse, pelo menos era o que mais precisava ser escolhido. Eu busquei meu coração. Tentei ver aquela luz que Victor disse que iluminaria o escolhido. Mas nada. Não aconteceu nada. Ele estava lá olhando desconfiado e inseguro para mim. Sabendo que estava totalmente indefeso e fragilizado com aquela verdade cruel. Talvez eu tenha que completar vinte e um anos para poder fazer a escolha, então eu tinha que esperar, mas isso só aconteceria daqui a três dias.
_Sebastian._ eu murmurei seu nome.
_Vamos logo Helene. Eu já avisei Katherine que estamos indo e ela detesta esperar._ ele recompôs sua máscara de indiferença e seguiu para a porta. Eu fiquei ali parada por um instante. Um cansaço se abateu sobre mim. Eu não tinha o poder para salvar Sebastian, nem a ninguém. Eu tinha que ir ao encontro de quem podia me salvar e era isso que eu ia fazer. Era para isso que eu estava lá. Puxei o ar profundamente e sai do quarto atrás dele.
Victor veio ao meu encontro com um olhar preocupado.
_Se vai abrir mão de escolher entre nós não deveria se inteirar de tantos detalhes. Isso não faz bem a você. Posso ver isso._ ele disse e enquanto pegava na minha mão.
_Eu sei, mas eu precisava saber._ eu estava muito cansada. Cansada como nunca. Minhas energias pareciam ter desaparecido no ar.
_ O clima de Paris é pouco favorável para você. A Pura precisa estar sempre ao Sol e ao ar puro. Também cercada por energias positivas. _a voz de Victor era séria.
_Eu não sabia disso.
_É porque você nunca saiu de Rio das Ostras. Lá tem o clima ideal para você. A energia das pessoas também é melhor. Essa cidade pode ser muito bonita, mas está muito carregada de energias pesadas como ambição e inveja.
_Eu sinto muito Victor._ eu disse e ele soube imediatamente que eu tinha mudado de assunto_ você merece ser escolhido, você sabe. Qualquer mulher ficaria feliz em ficar com você. Eu ficaria feliz em ficar com você. _ Sebastian estava à muitos passos a nossa frente, eu sabia que ele podia ouvir com sua audição sobrenatural, mas eu não teria outra oportunidade de falar com Victor.
_Em uma coisa ele tem razão Helene._ Victor me disse e vi seus olhos brilharem como se estivessem úmidos. _A razão por eu estar permitindo isso é que você não está feliz. A Pura devia ser feliz afinal._ eu assenti com a cabeça. Lagrimas caíram de meus olhos.
Fizemos uma breve viagem de carro. Ninguém disse nada durante o caminho. Todos pareciam imersos em seus próprios pensamentos.
A casa de Katherine era imponente do portão até as portas largas da entrada. Era tudo muito exageradamente luxuoso. Haviam seguranças e empregados uniformizados por todos os lados. Como se ela precisasse encher a casa de serviçais para não ficar completamente sozinha. O portão eletrônico se abriu logo que chegamos à entrada e quando descemos do carro no grandioso jardim que rodeava a mansão, fomos recebidos por um mordomo perfeitamente alinhado à porta da frente. Ele nos informou que Katherine nos aguardava e nos guiou pela mansão ostentosa.
_Sebastian! _uma voz feminina sedutora e ansiosa atravessou a grande sala. Katherine apareceu vestida em um vestido longo preto com um caimento perfeito em seu corpo curvilíneo. Seus cabelos eram de um marrom amendoado muito brilhante. As maças de seu rosto eram arredondadas como se não tivesse ainda chegado a idade adulta, sua pele era muito clara e os lábios tinham um bonito formato de coração. Definitivamente não era o que eu esperava de uma bruxa. Ela caminhou determinada até ele e o beijou calorosamente no rosto, depois de Sebastian ter desviado sua boca da dela.
_Como vai Katherine? Muitas poções mágicas no seu caldeirão?_ Sebastian sorria fracamente para sua tão calorosa recepção.
_Nem tanto como antes meu querido. As coisas andam muito entediantes ultimamente, ou estavam até agora. _os olhos dela brilhavam para Sebastian. Ela era louca por ele. Estava estampado na sua cara. Aquilo realmente me incomodou, mas eu fingi ignorar.
_Katherine, essa é Helene._ ele se desviou dela para apontar para mim.
_Oh, sim. A Pura._ ela olhou sem vontade para mim, mas colocou um sorriso amigável e encantador no seu rosto de boneca. Seus olhos tinham o mesmo tom achocolatado de seus cabelos._ Como vai Helene?
_Bem, obrigada. _ eu disse com cordialidade forçada. Eu não estava nada bem. Por isso estava lá desesperada por alguma espécie de solução para o meu problema.
_E aquele é Victor._ ele disse simplesmente como se ela já soubesse de quem se tratava. Ela sorriu brevemente para Victor com o reconhecimento que eu adivinhei. Ele apenas acenou uma vez com a cabeça e se moveu sutilmente para mais perto de mim. O clima não poderia estar mais tenso.
_Então, o que você precisa de mim, querido Sebastian?_ ela estava toda derretida sobre ele de novo.
_Helene não quer ser a Pura._ vi uma sombra de desgosto no seu rosto, mas logo ele a disfarçou _ O que você pode fazer sobre isso?
_Não quer!_ Ela parecia incrédula, mas quase saltitou de animação. Sebastian esperou a resposta de sua pergunta com visível impaciência.
_Ela quer ter uma vida normal entre os humanos. _ ele explicou_ Mas para isso ela precisa se desligar de nós e deixar de atrair todos os homens que olham para ela.
_ Bom. _ ela pensou _ Eu não posso mudar o DNA dela, mas posso fazer alguns arranjos._ ela se aproximou de mim com olhar especulativo. _Um feitiço de bloqueio vai resolver os problemas com os homens, mas isso iria bloquear para todos, não terá como ser atraente para um e não para outro. Porém, se você tocar em um homem ele sentirá a atração, porque estará ultrapassando os limites do bloqueio. Você me compreende?_ ela me perguntou como se eu fosse uma deficiente mental.
_Eu entendo, e não me importo.
_Perfeito! _ ela bateu as palmas
_Quanto a nós? _ Sebastian perguntou cortante.
_Quanto a vocês eu não posso interferir. Só ela pode dispensar seus pretendentes. Basta que ela diga sinceramente que estão dispensados e vocês estarão livres para ir.
Olhei para Sebastian que não alterou nem uma vírgula de sua máscara fria. Victor permanecia imóvel ao meu lado também, mas seu olhar era de desolação.
_Assim está bom para você Helene?_ Sebastian me perguntou como se fosse sobre o cardápio do almoço. Meu coração doía. Só consegui acenar com a cabeça. Seus olhos frios ficaram intensos por um milésimo de segundo antes que eles se desviassem de mim e voltassem para a “bruxa”. _Faça.
Katherine se aproximou mais de mim e fez um gesto para que Victor se afastasse. Ele resistiu então ela sorriu falsamente amável.
_É muito simples, não vou machuca-la._ ele cedeu dando um passo para trás._ Feche seus olhos querida. _ eu estava com medo, mas obedeci.
Não sei o que ela fez, mas podia ouvir um sussurrar de palavras estranhas que pareciam latim. Sua voz de criança, aos poucos foi ficando mais alta e mais forte. As frases desconhecidas saíam cada vez mais rápidas e intensas. Muitos minutos foram se passando e eu resisti a curiosidade de abrir meus olhos até que Sebastian gritou.
_Katherine, Não!
_Pare!_ era a voz de Victor.
Fiquei assustada e abri os olhos a tempo de ver os dois avançarem na direção de Katherine e serem lançados na parede a metros de onde estavam. Quando olhei assustada para Katherine ela tinha os olhos vermelhos e brilhantes. Ela continuava pronunciando seu ritual, mas agora sua voz era desumanamente rouca. Voltei a procurar Victor e Sebastian e os vi tentando se levantar no fundo da sala. Eu estava apavorada. Seja lá o que ela estava fazendo comigo não era bom. Tentei me mover, mas não consegui. Tudo aconteceu muito rápido e Katherine silenciou e fechou seus olhos. Estava acabado.
_Você usou magia negra Katherine!_ Sebastian acusou sufocado e furioso.
_Foi preciso. A magia branca não quis interferir com a Pura._ ela disse docemente, como uma criança que justifica uma arte. _Não se preocupe. O feitiço não tocará nela, apenas formará um bloqueio a sua volta. Eu sinto muito por ter que empurrar você “mon cherie’’, mas não pode me interromper no meio de um feitiço. _ ela foi até Sebastian, que ainda buscava por equilíbrio se apoiando na parede, e acariciou seu rosto._ Você me perdoa meu querido?_ ele a ignorou, seus olhos estavam fixos em meu rosto.
_Isso irá enfraquecê-la._ Victor se levantou também com dificuldade e caminhou resoluto para o meu lado_ Tire isso dela agora!
_Como se sente Helene?_ ela se virou para mim inocentemente.
_Eu me sinto um pouco estranha, mas não é muito ruim._ eu disse _É como se o céu estivesse nublado para chuva._ foi a melhor explicação que consegui para como eu me sentia.
_Viu? _ela ergueu os ombros_ Não é tão ruim. Com certeza é melhor do que ter o risco de ser estuprada em cada esquina. _ isso me fez estremecer, mas era verdade. _Vamos fazer um teste._ ela caminhou em direção a um aparelho de telefone que estava sobre um criado mudo e apertou um só botão.
_”Sim senhora”_ a voz saiu do aparelho.
_ Quero todos os guardas na minha sala agora._ ela ordenou a quem quer que tenha atendido. Eu estremeci. Tinha visto pelo menos uma dezena de homens no jardim da casa. Victor estava mais perto e Sebastian também surgiu ao meu lado com cara de poucos amigos. Eles não estavam satisfeito e olhavam furiosamente para Katherine, mas não podiam impedi-la. Ela era muito poderosa. Essa conclusão me fez ter mais medo ainda. Se eles não podiam me proteger dela ninguém mais poderia.
Não demorou para a sala começar a ser invadida por vários homens enormes e fortemente armados. Como eu temia eles eram muitos. A sala espaçosa da mansão logo estava cheia demais. Eles não conseguiam entrar sem se esbarrar uns nos outros. Os únicos espaços que eles evitavam fechar eram a nossa frente e ao redor de Katherine.  Victor e Sebastian me levaram para um canto da parede e se colocaram na minha frente. Katherine olhava para nós com uma espécie de diversão no rosto. Eu definitivamente não gostava dela. Eu nunca odiei ninguém na minha vida, nem o homem que me atacou aos doze anos, mas eu seria facilmente capaz de odiar aquela figura infantilizada diante de mim.
_Muito bem._ ela disse quando todos pareciam ter chegado. Eles olhavam para nós com interesse e curiosidade. Provavelmente estariam se perguntando se nós poderíamos ser a ameaça responsável por uma convocação em massa da segurança. _Agora meninos, deem uma boa olhada para essa moça._ Katherine disse aos seguranças_ Deixem que eles a vejam rapazes._ ela repreendeu a Victor e Sebastian que estavam impedindo a visão dos guardas. Eles esperaram por um longo minuto olhando fixamente para a multidão masculina armada enchendo a sala. A bruxa suspirou impaciente, então como se eles entendessem isso como uma ameaça eles abriram um breve espaço entre eles para que eu pudesse ser vista. Os olhares, agora ainda mais curiosos, me mediram da cabeça aos pés, mas não havia nenhum sinal de maior interesse neles.
_Viram!_ Katherine gritou como uma adolescente empolgada. _Nadinha. Eu disse a vocês!_ estão dispensados meus meninos. Voltem a me proteger lá fora. _ ela disse num ótimo humor.
Victor e Sebastian relaxaram um pouco.  Katherine caminhou na minha direção e segurou na minha mão me distanciando de Victor.
_Agora você só precisa dispensar Sebastian. Faça agora._ ela disse sem conseguir disfarçar seu temperamento tão bem como tentou. Eu estava bem na frente dele, olhando seus escuros olhos azuis. Meu coração vacilou, eu não achava que teria coragem de desprezá-lo. Isso era tudo o que eu não queria fazer desde o início. E estava claro para mim que Katherine estava fazendo tudo àquilo para ficar com ele. Era ele que ela queria o tempo todo.
_Sebastian_ por um momento eu esqueci tudo a minha volta. Só existia eu e ele naquela sala _ Eu acho que não posso fazer isso. _ disse insegura. Ele me olhava intensamente. Suas verdadeiras emoções estavam escondidas atrás de seu olhar frio, mas ele não podia esconder todas. Eu via lampejos de sentimentos que não podia discernir, mas que imaginava que seria de frustração e dor.
_Somente faça o que tem que fazer Helene._ sua voz de veludo era quase um sussurro. Vacilei um pouco mais. Senti lágrimas descerem quentes no meu rosto.
_Eu não posso magoar você dessa maneira. Eu não consigo.
_Você não está magoando ninguém Helene. _ agora ele estava seco e duro _ Eu também quero ser livre disso. Faça agora! _Suas palavras duras me cortaram ao meio. Eu estava despedaçada. Foi ele quem me dispensou no final das contas.
_Sebastian! _ Victor parecia rosnar o nome dele em aviso.
_Não. Tudo bem Victor. Ele tem razão. Ele merece uma Pura de verdade, uma que esteja feliz em fazer tudo direito e não uma com defeito como eu. _ Sebastian apertou tanto a mandíbula que parecia que iria se partir, mas ele não disse nada. Apenas sustentou meu olhar e esperou._ Sebastian eu dispenso você. Está livre de qualquer vínculo comigo. _Minhas palavras foram sinceras, vinda da amargura que estava meu coração. Imediatamente eu me senti diferente em relação a ele. Era como se um cabo invisível que nos ligava estivesse sido rompido e o calor da necessidade que sentia constantemente, pedindo seu toque tinha desaparecido como mágica. A dor no meu peito também foi diminuindo na medida em que eu percebia que estava livre.
_Está feito. Agora vocês podem ir embora. _Katherine foi para o lado de Sebastian e segurou seu braço protetoramente.
Ele iria ficar com ela! A confirmação caiu como um tijolo na minha cabeça. Sebastian continuava estático e tenso na minha frente. Enquanto minhas lágrimas secavam ele continuava me olhando como se nada tivesse mudado para ele.
_Vamos Helene, vou te levar para casa._ Victor segurou meu braço gentilmente. Eu não fui capaz de dizer nenhuma palavra. Desolação era a palavra para meu estado. _Vamos._ Victor me conduziu lentamente para a porta quando ele viu que eu não reagia. Sebastian ainda me olhava com seus olhos ainda mais escuros. Eu podia achar que ele estava quase transformado, mas não tinha certeza. Eu só conseguia pensar que eu estava me despedindo definitivamente dele e não conseguia dizer nada, nem um adeus.
Quando passamos pela porta, eu não podia mais vê-lo e as lágrimas voltaram com mais força. Victor abriu a porta do carro e me colocou dentro. O pranto desesperado que eu estava sufocando veio com força total enquanto o carro saía lentamente da propriedade de Katherine.
Victor dividia sua atenção entre mim e a direção do carro. Não sei quanto tempo passou e estávamos no hotel de novo. Subimos pelo elevador de serviço que subia da garagem e não fui vista em completo desespero.
_Ele ficou lá. Ela queria ele Victor._ eu disse em meio aos soluços.
_É, ela queria. Foi uma troca.
_Ele se ofereceu em troca? Por quê ele faria isso?
_Pelo que eu pude tirar dos pensamentos dele, ele a mordeu quando não sabia que ela era uma bruxa. Ela poderia tê-lo repelido facilmente, mas por algum motivo ela não o fez. Ela deixou que ele se alimentasse dela e quando ele foi apagar sua memória ela não permitiu.
_Ela pode impedir?
_As bruxas podem fazer quase tudo Helene. Ela só não conseguiu fazer que Sebastian se apaixone por ela, porque ele tem uma força maior que o subjuga.
_A Pura._ eu conclui.
_Sim. Por muitos anos ela vem tentando que ele fique com ela e fazendo tudo que ele pede por alguns momentos juntos. Ele ficou por algum tempo com ela, mas ele sempre vai embora.
_Porque ele não pode amá-la. Tudo  faz sentido agora _Eu fiz tudo errado Victor. É tudo culpa minha.
_Não fique assim Helene, você merece ser feliz. Sebastian estará bem, ele superou o que fez com a outra Pura e aquilo foi de longe muito pior, ele vai superar isso também. _Victor secou uma lágrima do meu rosto com as costas de sua mão_ Ele pode esperar.
_Sim. E você pode ser livre._ Eu suspirei e olhei seus bonitos olhos verdes.
_Eu não quero ser livre.
_Mas você merece. Você e Rafa merecem poder ir adiante e ter uma vida normal e feliz.
_Assim como você?_ ele sorriu resignado.
_Sim assim como eu. _Segurei a mão dele entre as minhas_ Você ainda vai me levar para casa depois de ser livre?
_É claro._ ele sorriu seu melhor sorriso, aquele de derreter corações, e isso me fez balançar na minha decisão. Ele era tão perfeitamente encantador. _Mas acho que você não deveria querer ir embora tão rápido. Pelo que eu sei sua mãe está esperando um presente e você tem dinheiro de sobra para gastar antes de voltar para casa.
_Tem razão. Eu preciso desesperadamente de roupas novas._ a esperança de uma vida nova brilhou dentro de mim. Ele tinha razão, afinal, tinha uma razão para eu ter feito aquilo tudo. Eu teria uma bela vida cheia de potencial, como todo mundo. Eu puxei o ar novamente enchendo meus pulmões, fechei e abri meus olhos. _Victor eu te dispenso de qualquer compromisso comigo. Você está livre. _novamente senti a ligação se desfazer. Uma sensação de liberdade tomou todo meu ser. Victor piscou os olhos algumas vezes e depois sorriu.
_Está feito. Sinto-me diferente agora._ ele disse sorrindo.
_Você não me odeia não é?_ eu brinquei, mas por um momento senti medo de que desfeito o encanto ele pudesse me desprezar completamente.
_Sua boba. Você continua muito encantadora para mim. Somente tenho abertas as algemas. _ ele riu alto e eu ri junto, aliviada.

Paris era como eu nunca poderia imaginar. Lindíssima! Ela tinha uma mistura harmoniosa do antigo e do moderno. O clima era de ostentação e ambição sim, mas também era de romantismo e sofisticação. Victor conhecia cada loja, cada museu e cada esquina. Passamos o dia e o princípio da noite fazendo compras, além do exagero de dinheiro que Sebastian me deu Victor ainda me encheu de presentes e não me deixou pagar quase nada. Visitamos lugares lindos. A Torre Eiffel não perdia em nada para sua fama. Era magnifica.
_Está pronta para ir amanhã ou quer passar mais um dia?_ ele me perguntou quando eu me joguei, exausta na cama do meu quarto no hotel.
_Preciso ir pra casa. Mamãe deve estar preocupada. Quero resolver logo as coisas com Rafa também, ele precisa ficar livre das minhas algemas._ brinquei_ E me sinto um pouco estranha aqui também, como você disse._ Victor acatou minhas palavras, mas pareceu preocupado com alguma coisa. Sentei-me na cama e encarei.
_O que foi?
_Sua ligação com o lobisomem não é como a nossa.
_Sim, você me disse isso._ eu ainda estava confusa.
_Então, você se lembra de que eu disse que sua ligação com ele é baseada na amizade e na necessidade de proteção da Pura. Do contrário, você não poderia estar assim tão longe dele?
_Sim._ eu me lembrava disso, então estava óbvio_ Eu não vou poder libertá-lo de mim.
_Não porque ele não está realmente preso a você. Vocês construíram a ligação. É a mais verdadeira.
_ O que ou fazer com relação a ele?
_Bom, eu acho que quando ele perceber que você não o ... ama, do jeito certo_ ele procurou as palavras_ e que não precisa de sua proteção, ele irá seguir sua vida. Assim como um amigo de infância apaixonado faz quando não é correspondido.
_Não tenho ideia de como ele vai reagir a tudo isso. Espero que ele seja tão compreensivo quanto você. _ eu sorri em agradecimento mudo.
_Nunca vai encontrar nenhum homem tão compreensivo quanto eu, minha querida._ ele brincou sorrindo de volta.
_Preciso de um banho e cama._ suspirei.
_Minha deixa para ir pro meu quarto?
_Sinto muito, mas sim.
_Tá certo. Boa noite então._ ele se inclinou sobre mim e me deu um beijo breve na testa.
_Boa noite e obrigada por tudo hoje. Foi tudo maravilhoso graças a você._ ele assentiu com a cabeça e saiu. Eu ainda fiquei mais alguns minutos esticada na minha cama, sentindo meus membros rígidos. Quando finalmente me senti sozinha, um vazio escuro e frio começou a crescer dentro de mim. Era uma sensação estranha e muito desagradável. Levantei-me em um impulso e fui para o banho, tentando me distrair daquele sentimento. A super ducha quente do hotel, caiu como uma luva no meu corpo cansado e tenso. Quando deitei na cama de novo emergi em um sono sem sonhos.
Eu tinha muitas opções de roupas para usar na viagem de volta. Aquilo era empolgante. Minhas novas malas estavam cheias de roupas de grifes francesas que eu nunca  nem tinha ouvido falar. Resolvi vestir uma causa cigarrete preta e uma blusa de seda branca, com botões na frente. Era sensual, mas discreta. Eu ainda não me sentia totalmente segura. Deixar meus cabelos soltos caindo pelas costas foi o que me deu mais prazer. Era o que eu mais gostava em mim. Meus cabelos totalmente negros, levemente ondulados, pareciam um véu exótico cobrindo sorrateiramente parte do meu rosto e contrastando com o azul dos meus olhos. Adorava senti-los voando ao meu redor quando caminhava. E isso também era um luxo que eu não podia desfrutar antes.
Eu estava ainda distraída em frente ao espelho quando ouvi duas batidas leves na porta. Em seguida Victor entrou com uma bandeja enorme nas mãos.
_Vim tomar o café da manhã com você._ ele dizia enquanto entrava, mas quando ele parou os olhos em mim, pareceu ter perdido seu primeiro raciocínio. _Meu Deus você está linda!
_Acha que devo me trocar?_ perguntei assustada. Ele riu alto.
_Não seja absurda Helene._ eu ri junto com ele.
_É força do hábito. 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Cap. 7


_Eu não poso fazer isso._ eu disse depois de longos minutos abrigada nos braços de Victor e chorando baixinho.
_Helene, você terá tempo. Não precisa se preocupar com isso agora. Ainda nem completou a idade certa. Talvez tudo fique mais claro depois.
_Não vejo como isso pode mudar. Essa coisa de ser A Pura não é para mim Victor. Eu não posso fazer isso. _ Levantei-me secando meus olhos. Eu estava decidida. Iria com Sebastian procurar a bruxa. _Preciso arrumar umas coisas. Vou procurar a solução. Não posso ficar aqui sentindo o peso de uma responsabilidade pesada demais para mim e me lamentando. Vocês poderão ter outra Pura daqui a cem anos. _ eu andava de um lado para outro no quarto. Tentando me recompor. Tentando me convencer_ Sim. Cem anos não parece fazer muita diferença para vocês, de qualquer modo. _ Victor me observava sem dizer nada. Ele parecia tentar me compreender, mas sem muito sucesso.
Saí do quarto sem dizer mais nada e sem olhar para Victor. Tomei um banho frio e fui para a cozinha. Fiz café e coloquei a mesa para nós dois. Ele não demorou a me acompanhar, mas ainda permanecia calado, me observando como se eu estivesse passando por um momento de insanidade. Sem parar muito para pensar, comecei a fazer as tarefas da casa. Liguei o rádio que estava tocando uma música da Beyonce que não sabia o que dizia, mas que tinha um ritmo bom. Lutei para esvaziar minha mente o quanto pude. Eu só tinha que pensar nas coisas práticas agora. Deixar a casa arrumada para minha mãe parecia ser apropriado. Fazer as malas seria simples já que eu não importava para onde iríamos, as roupas seriam as mesmas. O mais difícil seria preparar a minha mãe para minha viagem. Ela não ia receber isso com muito boa vontade. Eu tinha certeza disso. Eu já era maior de idade, mas nunca tinha ficado nem um só dia longe de casa. E agora iria, talvez para outro país, com dois homens estranhos. Parecia loucura até para mim.
_Quer ajuda?_ tomei um susto quando Victor resolveu me lembra de que ele estava ali. _Eu posso lavar a louça. _ ele estava se divertindo.
_Não se preocupe com isso. Eu dou conta.
_Sim, mas eu sou mais rápido. _ ele deu um sorriso torto que me distraiu com sua beleza. No segundo seguinte a pia estava completamente limpa e as louças empilhadas o escorredor. Ele surgiu na minha frente de novo enquanto eu ainda estava de boca aberta olhando a pia. _ Se eu limpar o chão também você pode voltar a olhar para mim de novo? _ eu olhei confusa para ele. Ele achava que eu o estava ignorando? Ele não esperou minha resposta. Apenas vi um vulto passar por mim duas vezes e alguns móveis saírem dos seus lugares como se estivessem voando sozinhos. No momento seguinte a sala estava modificada. Ele tinha limpado tudo. O chão estava úmido e cheirando a desinfetante e tinha mudado todos os móveis de lugar. _Gosto mais assim. O que acha? _ o sorriso de derreter geleiras ainda estava lá. Eu não pude deixar de sorrir para ele também. Seus olhos brilharam e ele envolveu seus braços em minha cintura.
_Você ganharia muito dinheiro como faxineiro. Poderia limpar todas as casas da cidade em um dia. _ eu brinquei, muito confortável com sua aproximação repentina.
_É uma possibilidade. _ ele riu. Se isso te fizer sorrir assim, posso até limpar todas as casas do país._ eu corei.
_Também sabe cozinhar?_ brinquei para me distrair da timidez. 
_ Nessa função você é muitas vezes melhor do que eu.
_Bom saber que tenho alguma vantagem.
_Você tem toda vantagem._ ele estava sério agora e seus olhos estavam mais intensos nos meus. Eu senti arder mais a necessidade de ser tocada por Sebastian onde ele ainda não tinha feito. Eu estava tendo sucesso em ignorar aquela cessação até naquele momento.
_Vou fazer o almoço então. _ me afastei dele e voltei para a cozinha, sem nenhuma esperança de que ele não teria percebido o motivo da minha mudança de humor repentina.
Depois que almoçamos Victor saiu por exatos seis minutos para ir ao seu hotel, tomar banho e trocar de roupas. Eu enchi uma mala com as roupas que mais usava, não importava se era inverno ou verão. As temperaturas ambientes não me afetavam. Eu apenas percebia as suas mudanças, mas o meu corpo se adaptava instantaneamente. Coloquei uma necesser com produtos de higiene pessoal e alguns calçados também. Quando minha mãe chegou do trabalho eu estava ansiosa. Com medo de ela proibir que eu fosse.
_Por favor, fique aqui. _ pedi a Victor que ficasse no um quarto enquanto eu falava com minha mãe.
_Tem certeza que quer fazer isso Helene? _ sua voz estava calma.
_Sim. É a única coisa que tenho certeza agora. _ Disse e fui encontrar minha mãe na cozinha.
_ Oi mãe. _ eu saudei e fui ao seu encontro para um abraço. Ela me abraçou de volta, um tanto surpresa.
_Oi filha. O que foi?_ ela me afastou para ver meus olhos úmidos. Sua testa franziu_ Ei querida, qual é o problema?
_Problema nenhum, mãe. Eu acho que é justamente o contrário. Acho que posso encontrar a solução. _ mamãe continuava confusa e assustada.
_Como assim? Solução de que Helene?
_Você sabe mãe. Desse problema que eu tenho. Sebastian conhece alguém que pode me curar.
_Conhece?_ ela se iluminou. _ Quem?
_É alguém que lida com coisas sobrenaturais como essa. _ eu não podia usar o termo bruxa que ele usava. Isso iria assustar minha mãe com certeza. _Eu estou com muita esperança que dê certo. _ incentivei sua animação.
_Você acha? Então onde essa pessoa está? _ Opa! Esse detalhe eu não tinha.
_Em Paris._ A voz aveludada de Sebastian surgiu na porta da frente. _Desculpe a invasão. A porta estava aberta._ ele sorriu para minha mãe.
_Paris. _ ela repetiu tentando acreditar. _ Você terá que ir a Paris?
_Sim. Nós partiremos hoje à noite._ Sebastian caminhou casualmente para dentro da casa. Eu quis enforca-lo por estar assustando minha mãe com aquelas afirmações de que iria me levar sem nem esperar pelo seu consentimento. Mas ele olhava fixamente para ela que não reagia como eu esperava. Ela parecia aceitar tudo que ele dizia. Ele a estava hipnotizando. Eu tinha certeza.
_Isso não é necessário Sebastian._  aquilo era revoltante.
_Sim é. _ ele disse para mim. Mamãe permanecia com seu olhar perdido nos dele. _Ela iria querer ir com você e isso não seria seguro para ela. Quanto menos ela souber melhor. Pensei nisso por um momento. Ele tinha razão. Eu não tinha pensado nisso. Ela iria querer ir comigo aonde eu fosse. _Não se preocupe Claudia, Helene estará segura comigo. _ ele tinha se voltado para mamãe de novo. Ela piscou os olhos e sorriu satisfeita. Isso teria passado despercebido para qualquer pessoa menos atenta.
_Então está bem. Traga-me um presente de lá filha._ ela disse e foi para seu quarto tranquilamente.
_Você é mesmo assustador._ eu disse olhando de boca aberta para Sebastian. Ele sorriu com um canto da boca, sarcástico.
_Você ainda não sabe o quanto. _ seus olhos se apertaram enquanto ele me olhou dos pés a cabeça. Eu tive dificuldade para engolir o nó da minha garganta. Desviei meus olhos dele para não começar a ferver.
_Paris? _ tentei levar o clima da conversa para um menos perigoso.
_Katherine gosta das luzes._ Seu olhar se virou para a porta do meu quarto. Victor estava encostado lá agora, com seus braços cruzados sobre o peito e com cara de poucos amigos. Essas aparições repentinas deles estavam me deixando tonta. Sebastian o ignorou completamente_ Está pronta?_ ele perguntou para mim.
_Eu acho que sim, mas eu não tenho dinheiro nem um passaporte. Como poderei viajar para outro país?_ ele alcançou o bolso interno de seu casaco e retirou um pacote gordo de papel pardo e entregou para mim.
_Aí tem dinheiro e todos os documentos que precisa.
_Como conseguiu isso? _Os documentos tinham meu nome e minha foto, e o dinheiro seria suficiente para eu ficar um ano lá.
_Tenho muitos contatos. E tenho mais uma coisa para você também. _ ele saiu e voltou em um sopro. Entregou-me uma sacola grande.
_O que é isso?
_Olhe._ Abri a sacola e retirei um grande tecido negro de lá. Quando o abri dei uma rizada involuntária. Era uma burca. Uma daquelas roupas que as mulçumanas usam que só ficam com os olhos de fora. _Acho que é o único jeito seguro de você sair às ruas. _ ele me explicou, talvez estranhando minha reação exagerada.
_Rafa me disse uma vez que eu devia andar com uma burca, mas eu nunca considerei isso a sério. É ridículo!_ eu ainda estava rindo descontroladamente. Victor só observava encostado na porta, sem dizer nada.
_Eu achei que a ideia do cachorro não era de toda ruim._ Sebastian disse, lembrando-me que ele estava ouvindo naquele dia. Isso me trouxe outras lembranças menos agradáveis e eu parei de rir na mesma hora. _Você vai usar?
_Vou pensar sobre isso._ coloquei a roupa estranha de volta na sacola e entrei no meu quarto passando por Victor que olhava fixamente para Sebastian. Ele parecia mortal.
Eu estava muito nervosa. O avião começou a se mover de vagar, mas logo ele estava muito veloz e eu podia sentir que ele ia deixar o chão. Olhei primeiro para Victor que estava ao meu lado direito e depois para Sebastian do meu lado esquerdo. Victor sentiu meu nervosismo e segurou minha mão. Agarrei-me em sua mão como se ele pudesse salvar minha vida. Eu não estava preocupada em parecer uma covarde. Eu era uma covarde e estava morrendo de medo.
Sebastian olhou para mim com uma expressão indecifrável, mas vi seus olhos descerem rapidamente para minha mão atada à de Victor e depois virar seu rosto com desdém.
Eu estava toda coberta pela abominável vestimenta. Depois de muito tumulto no aeroporto com todos os homens parando na nossa frente para me olhar e tentando de alguma forma se aproximar de mim, eu cedi e deixei Sebastian me vestir a burca horrorosa.
Minhas mãos estavam geladas, mas não era pelo ar condicionado em potência máxima que o avião estava. Eram meus nervos que não me permitiam parar de tremer.
_Pessoas voam em aviões todos os dias._ Sebastian disse pra mim tranquilamente.
_E às vezes elas morrem quando algum deles cai._ minha voz estava tremendo e ficou ainda pior quando eu disse essas palavras. Victor acariciou minha mão um pouco mais. Seu olhar era compreensivo e encorajador.
_Esse avião não vai cair Helene._ Sebastian afirmou.
_Quem te garante isso? Você é vidente?_ ele podia ser. Eu ainda sabia muito pouco sobre eles.
_Não. Mas Victor é. _ ele olhou para Victor com seu meio sorriso. Eu também me virei para ele imediatamente.
_Eu não posso ver nenhum futuro relacionado com a Pura._ ele explicou.
_Eu não sabia que você podia ver o futuro._ eu atirei me sentindo um pouco traída.
_Isso não faz nenhuma diferença para você. _ ele disse sorrindo. Eu tinha que aceitar que fazia sentido.
_Então votamos a mesma situação. Ninguém pode garantir que esse avião não vai... _ não consegui dizer a palavra perturbadora de novo.
_Mesmo se ele caísse, você acha que eu deixaria que você se ferisse Helene?_ Sebastian disse impaciente.
 _O que você poderia fazer Sebastian? _ eu quase gritei. Ele riu.
_Tirar você antes que ele batesse no chão, por exemplo._ ele estava se divertindo às minhas custas. Eu o encarei, chocada. Nesse momento o avião deu uma sacudida e eu abafei um grito com minha mão livre.
A viagem foi longa e desgastante. Foi um alívio quando finalmente estávamos em Paris e não tínhamos que entrar em mais nenhum avião.
_Você está bem?_ Victor perguntou quando me ajudava a me soltar do sinto.
_Eu nunca mais quero entrar em um avião na minha vida._ eu me lamentei.
_Entendo que vai querer voltar de navio então._ Sebastian debochou. Eu não tinha pensado na volta. Isso fez meu coração disparar de novo. Sebastian percebeu e fez uma careta de desgosto. Ele fez menção de se aproximar de mim, mas Victor já estava ao meu redor, me abraçando e me conduzindo para fora do avião.
 A cidade era mesmo muito bonita. Muito iluminada e ampla. Fomos para um hotel que me pareceu muito luxuoso, apesar de Sebastian me garantir que era discreto para evitar muita atenção em mim. Ele pegou três quartos que já estavam reservados. Eu me sentia uma extraterrestre com aquela roupa preta que me cobria dos pés a cabeça, enquanto as lindas mulheres, esbeltas e elegantes passavam por nós. Eu nunca me senti tão estranha e nunca desejei tanto não ser. Eu queria poder andar bonita e arrumada como aquelas Francesas. Eu queria poder usar maquiagens e penteados. Eu queria poder me sentir realmente bonita sem causar a terceira guerra mundial.
Meus dois protetores me levaram até o meu quarto. Sebastian entrou primeiro e olhou por todos os cantos da grande suíte que parecia ser maior do que minha casa toda. Victor ficou na porta comigo. Ele continuava com aquele olhar compreensivo e paciente de sempre, mas eu sabia que havia muito mais lá. Ele estava triste. Mas ele estava respeitando minha decisão e acatando as atitudes de Sebastian que me levariam para longe dos dois. De alguma forma eu entendia que essa era a reação esperada para Victor. Ele era um perfeito cavalheiro. Amável e respeitador. E acima de tudo ele me amava e queria que eu fosse feliz. Mas o que eu ainda não tinha entendido era o porque de Sebastian estar fazendo aquilo. Ele não era tão altruísta.
_Descanse. Se precisar de alguma coisa estou no quarto em frente._ Victor me garantiu.
_Obrigada. _Eu disse sinceramente. Olhando na profundidade de seus olhos. _ obrigada por isso Victor. Sei que não é uma coisa fácil para você._ ele só acenou com a cabeça e saiu dando uma última olhada, menos amigável para Sebastian que estava atrás de mim, dentro do quarto nos olhando.
_Estou indo também. _ ele já ia passando por mim, mas eu o segurei.
_Espere. Eu quero falar com você._ ele me olhou com os olhos apertados, buscando ler os meus. _Você pode ficar por alguns minutos? _ eu caminhei até a grande janela com vista para as luzes da cidade, retirei a burca asfixiante e esperei que ele me seguisse. Ele se demorou um pouco, mas por fim fechou a porta atrás dele e veio até mim.
_O que você quer conversar Helene. Já não temos tudo decidido? Ou você mudou de ideia?_ ele estava irritado. Eu vacilei um pouco, mas me virei para encará-lo.
_Eu não mudei de ideia.
_Então o que é?
_Eu quero saber por que você está fazendo isso. Não faz nenhum sentido. Você dentre todos devia querer mais ficar com a Pura para poder refazer sua raça. Eu não acho que isso seja uma coisa fácil de abrir mão assim como você está fazendo. _Ele arregalou os olhos para mim. _Eu sei que você é o único vampiro que existe, sei que você nunca conheceu nenhum dos seus parentes. Victor me disse. _ ele ficou ainda mais furioso. Ele bufou e veio para mim com passos largos.
_E você acha que é isso que eu quero? Refazer minha raça?_ ele quase rosnava no meu rosto.
_Sim. Eu acho que você deveria querer isso. É muito justo._ eu disse docemente. Tentando acalma-lo, mas não teve o efeito que eu esperava. Ele segurou ambos dos meus braços com firmeza e puxou meu corpo para o seu em um só movimento.
_Você quer saber o que eu quero Helene? Vou dizer o que quero. Eu quero estar entre suas pernas abertas, ouvindo seus gritos de prazer enquanto eu mergulho completamente em você até me perder. Eu quero enfiar minhas presas em seu lindo pescoço moreno e sentir o gosto doce do seu sangue deslizando na minha língua e me inundando com seu poder. É isso que eu quero._ meu corpo reagiu imediatamente às suas palavras. Era exatamente o que eu queria também naquele momento. Senti meu sangue ferver como só fazia quando eu estava nos braços dele. Eu só não avancei sobre ele porque estava muito presa em suas mãos firmes que me mantinham imóvel. _ Eu estou me lixando para minha raça, Helene. Eu não estou nem aí se eles foram estúpidos o suficiente para morrerem todos de uma vez. É sinal que não merecia existir mesmo. Talvez eu também não mereça. Só sou teimoso demais para aceitar isso. _Ele me olhou um pouco mais com seus olhos intensos e depois me soltou e deu dois passos para trás com a mandíbula apertada, como se fizesse muito esforço para me deixar. Eu quis alcançá-lo, mas algo em seus olhos me conteve. _ Quer saber o que é justo? É justo que você escolha o Victor, assim como as últimas Puras vem fazendo há muitos séculos, com exceção da que eu matei. _ ele fez uma careta. Suas palavras doíam com uma navalha atravessando meu peito_ É por isso que sua raça está cada vez mais forte. É por isso que Victor é tão cheio de si. _ ele levantou uma sobrancelha_ Eles têm uma ainda entre eles agora mesmo, casada com um de seus líderes. E é por isso que eu farei o que você me pediu. É porque não tem nenhum sentido você não ser o que você quer. Não é como se você fosse fazer alguma diferença quando você escolher o Ultra-humano que já tem uma Pura lá. _Eu estava de boca aberta.
_Isso... quero dizer. Como você sabe... e se eu não escolhesse ele?_ eu estava confusa.
_Ora Helene. Seja lá quem for que criou essa coisa toda devia prever a seleção natural. Ele deu uma chance a nós, vampiros e lobisomens, mas a Pura ia acabar por fazer a escolha mais lógica no fim das contas. O Ultra-humano é mais semelhante a você. Sua vida não teria que mudar em nada para ficar com ele. Ao contrário de nós. Se você escolhesse o lobisomem teria que aturar aquele monstro horroroso e viver junto com sua matilha e suas famílias. Eles nunca se separam. E se você escolhesse a mim... bom isso seria ainda pior. _ ele fez uma careta e deu as costas para mim caminhando para a porta, mas parou antes de alcança-la. Eu não encontrava minha voz, nem minhas pernas, mas eu não podia deixa-lo ir sem me explicar o resto.
_O que?_ eu gaguejei _ O que seria pior se eu te escolhesse Sebastian?
_Você seria minha parceira de sangue para sempre. E só poderia ter filhos como eu, Vampiros._ sua voz era quase um sussurro. Um grande nó se formou na minha garganta e lágrimas verteram dos meus olhos. _ Tenho certeza que você não ia querer isso, como provavelmente as outras não quiseram. É por isso que nós estamos extintos agora. Seleção natural. _ ele me olhou brevemente com uma máscara de indiferença e sumiu, sem que eu pudesse vê-lo abrir ou fechar a porta.
_Victor! Victor!_ eu gritava.
_Helene, calma. Eu estou aqui._ ele estava me segurando e me levantando do chão, onde eu nem percebi que tinha agachado. Ele me levou para me sentar na cama. Lágrimas grossas obscureciam minha visão.
_É verdade?_ eu pedi_ É verdade o que ele disse?_ eu sabia que Victor teria ouvido tudo. Ele já tinha me garantido que não confiava em Sebastian para me deixar sozinha com ele.
_É uma parte da verdade sim._ ele disse me apoiando em seu peito e acariciando meus cabelos. _ mas ele não devia ter dito isso a você assim. Eu sinto muito.
_ Que parte da verdade falta Victor? _ eu exigi me movendo um pouco para longe de seus carinhos. Eu estava chorando dolorosamente e muito confusa. Sentia-me enganada de alguma forma.
_Falta a parte que a raça dele pode ter sido extinta pelos humanos. Ninguém sabe ao certo, mas foi o que provavelmente aconteceu.
_Como assim?
_A raça vampira não têm fêmeas, então você imagina o quanto eles são dependentes das fêmeas humanas. Precisam delas para se alimentarem, como você já sabe, e também para se reproduzirem como pode imaginar. Acontece que mais ou menos na idade média, os humanos ficaram descontentes com os vampiros roubando suas mulheres. Elas simplesmente se apaixonavam por eles quando eram mordidas. E alguns vampiros não respeitavam os laços do matrimonio humano ao fazer suas escolhas. Isso causava o fim dos casamentos e enfureciam os maridos que se sentiam profundamente ofendidos com a traição. Por isso eles criaram uma grande revolução contra os vampiros. Eles tratavam deles como demônios nas igrejas e organizaram cruzadas de caça ao vampiro. Criaram mitos que quem fosse mordido viraria uma criatura das trevas, já que os vampiros não podiam sair ao sol. De algum jeito eles descobriram que o cheiro do alho repelia os vampiros e as mulheres passaram a andar cobertas de alho o tempo todo. Vampiros famintos se revoltaram e começaram a matar humanos indiscriminadamente, intensificando ainda mais a imagem de monstros que haviam criado. Por fim, sem as mulheres humanas para se alimentarem e se reproduzirem, e sendo caçados até a morte, eles foram ficando cada vez mais raros...
_ Até que só restou um._ conclui.
_Ninguém tem muita certeza, mas é o que deduzimos.
_Mas e quanto a Pura?
_ A Pura é criada entre os humanos, então ela também passou a ser educada para desprezar os vampiros e os lobisomens. Esses últimos por motivos diferentes._ ele franziu a testa e continuou_  Mas nisso Victor pode ter razão. Nós Ultra-humanos viemos tendo essa vantagem há muito tempo._  olhei seus olhos calmos e seu belo rosto diante de mim e entendi que fazia sentido. Além de ser magnificamente lindo, gentil e cavalheiro. Ele era também o mais “normal” dos três. Ele não se transformava em um monstro e nem bebia sangue. Mas ainda assim eu não estava certa que abriria mão do que os outros tinham para ficar com ele. Eu não sabia como eu poderia fazer tal escolha por nenhum dos três.
_Como é feita a escolha Victor? Eu tenho apenas que dizer que escolho esse ou aquele?
_Não é assim. Nossa Pura diz que no momento certo seu coração escolhe e nada mais importa além do seu escolhido. Nenhum dos outros dois faz nenhuma diferença. Uma grande claridade envolve o ser amado e nunca o abandona. Ele será sempre luz para seus olhos e felicidade para seu coração._ Victor descrevia as palavras com muita emoção na voz. Era algo muito sagrado para ele. _ Não será sua mente que vai decidir por esse ou por aquele Helene. Será seu coração quem vai apontar quem ele quer. _ isso me deu algo para pensar. Talvez não fosse tão difícil então. Eu só teria que esperar para ver o que acontece. Isso diminuiu um pouco a pressão no meu peito, mas quando eu me lembrei do brilho dos olhos redondos e castanhos de Rafa na noite em que ele voltou a me encontrar na praia, e do rosto arrasado de Sebastian ao me dar uma última olhada antes de sumir inexplicavelmente pela porta, eu reconheci que não seria nada fácil. Eu não podia ser feliz causando aquele tipo de dor àqueles homens que me amavam tanto.
_Eu não quero escolher._ afirmei e me levantei da cama num impulso insano. _ eu não vou fazer isso. Eu vou sair dessa situação. Não vou escolher nenhum de vocês e deixar os outros dois infelizes. Nenhum de vocês merece ser desprezado. _ eu dizia tudo de uma vez. Victor me observava espantado.
_Então você vai desprezar os três? _ Victor aproveitou uma pequena pausa da correnteza de minhas palavras.
_Eu não vou desprezar ninguém. Não vou escolher, então não terá desprezo algum. Ficarei sozinha. _ isso pareceu incoerente até para mim, mas era a melhor solução disponível .
_Tudo bem Helene. Venha cá._ Victor pegou minha mão tremente e me puxou para cama novamente_ Você precisa descansar. _ eu não resisti. As lágrimas estavam se formando de novo em meu peito e eu entendi que devia ser por causa do cansaço. Amanhã eu iria ver a bruxa de Sebastian e ela resolveria toda essa bagunça que era minha existência. Com esse pensamento eu me deitei nos braços quentes e protetores de Victor e deixei a inconsciência tomar conta de mim.
Estiquei meu corpo na cama grande do hotel. Eu nem tinha aberto meu olhos e minha mente ávida já tinha toda lembrança da noite anterior estalando na minha cabeça.
_Bom dia!_ não era a voz que eu esperava então abri meus olhos rapidamente para encarar um Sebastian banhado e cheiroso a meio quarto de distancia de mim, sentado em uma cadeira de tecido claro. Ele tinha um sorriso fraco que não tocava seus olhos.
_Onde está Victor? _ eu estranhei não vê-lo já que eu tinha dormido em seus braços.
_Eu pedi educadamente que ele me deixasse a sós com você um pouco._ seu sorriso travesso indicava que o pedido não devia ter sido tão educado assim. _Eu bocejei e esfreguei meus olhos úmidos. Eu precisava de um banho.
_Eu te fiz chorar de novo. _Sebastian estava sério agora. Eu voltei minha atenção para ele._ Eu não me sinto bem com isso, quero que saiba.
_Eu sei._ eu disse baixinho.
_Não queria que nosso último tempo juntos fosse assim. Gostaria que você tivesse uma lembrança um pouco melhor de mim. _ ele suspirou fundo _ Eu sempre estrago a coisa toda. _ ele disse sem afetação. Era apenas uma conclusão simples_ Eu gostaria de fazer isso diferente com você, mas não consegui._ ele levantou os ombros brevemente_ Quero dizer que sinto muito. _Aquilo era um pedido de desculpas junto com as despedidas. Meu coração doeu.
_Sebastian, eu... _ minha voz ficou presa na garganta. Não que eu soubesse o que dizer a ele, mas eu queria poder dizer alguma coisa que tirasse aquela dor dele. Aquela dor de mim.
_Você não vai chorar de novo, não é. _ ele se levantou e caminhou até a minha cama_ É justamente disso que estou falando. Eu só faço você ficar triste e eu não quero fazer isso.
_Não é você que me faz ficar triste Sebastian. É essa loucura toda._ Sebastian sentou-se do lado da cama e tocou meu rosto. As partes do meu corpo que ainda queimavam, arderam de desejo por receber aquelas mãos.
_Sabe por que eu te trouxe aqui para tentar que Katherine te ajude de algum modo a deixar de ser a Pura? E sabe por que Victor também está aceitando isso tão calado?_ a pergunta veio cheia de significado.
_Porque vocês estão respeitando minhas escolhas?_ ele sorriu e tocou meu rosto ainda mais docemente.
_Sua escolha seria por um de nós e essa é a que mais gostaríamos de respeitar, mas não. Não é por isso. _ ele tocou meus lábios com as pontas de seus dedos_ Você raramente sorri Helene. Está tão infeliz que chega ser doloroso. Sua alma sofre e podemos sentir. Tem algo errado com isso. As Puras eram para serem as mulheres mais felizes que existem. Elas sorriem sempre e seus corações estão sempre cheios com a claridade da alegria. Mas com você não é assim. _eu entendi o que ele dizia. Eu me sentia infeliz na maior parte do tempo, mas como poderia ser diferente dado ao nível de solidão e frustração que era minha vida. Como as outras poderiam estar felizes com isso. Eu não queria gastar meu tempo com aquelas perguntas. Eu só queria sentir o toque quente da mão de Sebastian em mim. _Preciso ficar longe para conversar com você. Eu te distraio tão facilmente. _ percebi que tinha fechado os olhos e estava inclinando meu rosto para sua mão. _ É tão adorável. _ ele disse com sua voz de veludo.
_Porque isso é tão forte com você? _ tive coragem de perguntar.
_O desejo físico, você diz?
_Sim. _ senti meu rosto esquentar de vergonha. Ele sorriu em reconhecimento.
_É um efeito natural dos vampiros sobre as mulheres. _ ele disse simplesmente. Lembrei-me que Victor tinha mencionado que as mulheres se apaixonavam pelo vampiro que as mordia. Na hora eu não dei atenção a esse detalhe, mas agora isso me incomodou. Na verdade isso me chateou bastante. Quantas mulheres Victor deveria já ter mordido na sua longa vida? E todas se apaixonaram por ele? Eu enrijeci. Sebastian percebeu e me olhou com curiosidade. _ O que foi?
_ Com que frequência você... tem que beber sangue?_ consegui dizer.
_Não entendo porque quer saber sobre isso. _ ele escorregou. Isso me deixou ainda mais tensa.
_Você pode me responder ou não?_ disse zangada e me afastei de sua mão.
_Isso depende muito Helene.
_Depende de que?_ eu não ia desistir. Eu queria saber o quanto mal isso seria.
_Eu já fiquei com sede por meses e não morri, embora tenha ficado terrivelmente fraco, mas uma vez por semana é o mais confortável para mim. _ ele explicou.
_E você está confortável agora?
_Temo que não._ ele sorriu entendendo onde eu queria chegar. A resposta dele me deu certo alívio, mas não tanto.
_Victor disse que a mordida de um vampiro era algo sensual e também disse que as mulheres sempre se apaixonavam pelo vampiro que a mordia. _ eu expliquei.
_Sim. É verdade. E é verdade também que Victor não tem mais nada para fazer se não falar sobre mim. _ ele riu sarcástico.
_Ele não fez por mal._ Sebastian fez outra careta de desdém. Seu rosto era tão perfeito que não havia careta que conseguisse esconder sua beleza.
_Então você chegou à conclusão óbvia?
_Qual conclusão óbvia?_ ele me confundiu. Eu estava perdendo alguma coisa.
_Sempre me alimento em meio a uma relação sexual. Não existe possibilidade de uma exceção. _Aquilo me pegou fora de guarda. Eu não tinha alcançado aquela conclusão óbvia de jeito nenhum. E por algum motivo aquilo tinha sido a pior revelação de todas.
_ Todas ás vezes. _ eu murmurei sentindo um abismo no meu peito. Ele assentiu com a cabeça levemente e mediu minha reação.
_Você sentiu Helene. Quando eu te beijei. Você quis que eu a mordesse não foi? Viu como funciona, uma coisa está estritamente ligada na outra._ minha cabeça rodou. Eu quis bater nele. Era irracional, mas eu queria bater muito nele. Estava louca de raiva.
_Pare de falar isso!_ eu gritei._ Quero que fique longe de mim!
_O que foi? Eu não entendo Helene , por que está tão furiosa?_ ele tentou me tocar.
_Sai de perto de mim Sebastian! _ eu me afastei dele e saí da cama para topar direto em seu corpo na minha frente, me sustentando.
_Só me diga o que foi que eu fiz de errado._ sua voz estava rouca, mas plana.
_Solta ela Sebastian_ Victor estava diante de nós_ Você não a ouviu mandar você sair.
_Não se meta nisso agora Victor._ Sebastian rosnou ainda me segurando_ Não vou a nenhum lugar até que ela me diga por que está com raiva de mim.
_Ela está chocada com o grau de libertinagem de sua vida sexual. _Victor atirou sem meias palavras. Sebastian me soltou e caminhou em direção a Victor que não se moveu em nenhum centímetro apesar da postura ameaçadora de Sebastian. Eles se encararam com os corpos vibrando de fúria.
_Do que você está falando Victor? Você e esses Ultra-humanos nem sabem o que é ter uma vida sexual. É por isso que ainda não superaram os humanos em número. Estão sempre tão voltados para sua ciência e suas habilidades que se esquecem de engravidar suas mulheres?
_Não fale besteira vampiro idiota! Quem é o ignorante aqui agora? Você não sabe que as Mulheres Ultra só concebem um filho a cada dez anos.
_E deve ser com essa frequência que vocês tocam nelas, por isso elas eram tão loucas por vampiros. E deve ser por isso que vocês se juntaram aos humanos para acabar com eles. _ encarei Victor na mesma hora. Ele me olhou também.
_Isso não está confirmado. Sabemos apenas que nós não apoiamos os vampiros, mas não que tenhamos lutado contra eles.
_Não sabem? Deve ser porque não ficou nenhum para contar a história completa._ Os dois estavam muito perto de uma briga agora. Eu podia sentir a cada batida do meu coração acelerado que eles iam se atingir a qualquer momento e seria horrível.
_Parem com isso agora!_ eu gritei. _Não há nenhum motivo para brigas. Eu quero os dois fora do meu quarto agora!_ eles se viraram ambos surpresos para mim. _Saiam. _eu disse mais baixo. Eles se encararam por mais um momento. Um parecia esperar o outro sair primeiro. Sebastian foi o que se moveu primeiro. Vi a frustração vincar seu belo rosto de novo. Victor saiu em seguida.
Corri para o chuveiro tirando minhas roupas pelo caminho como se pudesse tirar tudo junto. Toda situação embaraçosa e as imagens de Sebastian cercado por mulheres implorando por ele. Essas imagens me infringiam uma dor funda no centro do meu corpo. Uma dor forte e cortante.