quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Cap.4


Minha cabeça estava rodando. Era coisa demais para pensar de uma só vez. Meu estomago roncou e lembrei que não tinha comido nada o dia todo.
_Preciso de um banho._ falei me levantando ainda agarrada na colcha da cama. Peguei uma roupa no armário e fui para o banheiro. Meu banho foi curto, novamente tentava ignorar as exigências da minha pele que estavam mais brandas, como que pela metade, mas ainda era muito incomodo.
Saí do banheiro, já vestida e parei na porta.
_Está com fome? Quer comer alguma coisa?_ fiquei impressionada de como já me sentia tão à vontade com alguém que tinha acabado de conhecer. E que sabia que não era exatamente um humano. Seu rosto se iluminou como de uma criança ao ver doces.
_Estou sempre com fome._ ele disse sorrindo.
_Vamos para a cozinha vou ver o que dá para fazer rápido. Também estou com muita fome.
_Você é mesmo, ainda mais linda com esse contraste da sua pele morena e os cabelos negros com o azul dos seus olhos_ Victor disse depois de comer todo o macarrão com salsichas de seu prato sem tirar os olhos de mim.
_Fico curiosa._ falei depois de engolir o macarrão da minha boca_ Qual era o nome dela?
_Era Helene._ ele disse sorrindo _ Por algum motivo sempre é.
_Filha! Cheguei._ Minha mãe chamou da porta e imediatamente nos encontrou na cozinha, já que a casa era pequena demais para dar tempo de pensar em esconder Vitor dela._ Oh, você tem visita._ ela olhou espantada para Victor que já se levantava para cumprimenta-la. Ele estava perfeitamente calmo e casual. Um desespero tomou conta de mim. Como eu iria explicar a presença dele na nossa cozinha? E eu não queria explicar nada. Queria minha mãe bem longe dessa loucura toda.
_Como vai senhora? _Victor segurou sua mão de um jeito cortes e encantador. Cheguei a pensar que ele beijaria sua mão como fez comigo da primeira vez, mas não. _ espero que não se importe com a minha visita.
_Claro que não._ mamãe disse surpresa com sua formalidade fora de moda. _ Não me chame de senhora, por favor. Pode me chamar de Claudia.
_Claro. Claudia._ o nome tão comum da minha mãe ficou requintado e charmoso nos lábios de Victor.
_Sua filha faz um macarrão maravilhoso._ ele sorriu pra mim. Eu ainda estava paralisada.
_É. Ela cozinha muito bem. _Mamãe estava distraída me olhando interrogativamente tentando desvendar o que estava acontecendo ali.
Nesse momento alguém bateu na porta. Eu me apressei em ir abrir e fugir temporariamente daquela situação embaraçosa. Quando abri a porta tomei um susto que bambeou minhas pernas e quase caí. Era Sebastian. Com seu melhor sorriso “sou perfeito demais para ser humano” no rosto.
_Desculpe meu atraso._ ele disse em voz alta e eu sabia que era para minha mãe ouvir._ Posso entrar? _ isso era pra mim. Ele queria saber se eu queria sua companhia.
_Claro. _respondi desistindo.
_Obrigado._ ele foi direto até minha mãe e a cumprimentou com a mesma reverencia que Victor tinha feito.
_Senhora. É um prazer revê-la.
_O prazer é meu. _ ela não parecia se lembrar do nome dele_ Me chame de Claudia também, por favor._ ela emendou. Mamãe não era tão velha para ser tratada de senhora e não queria se sentir assim também.
_Claudia._ Sebastian deu seu sorriso encantador para ela, que tremeu um pouco. Percebi que aquele efeito não era só em mim.
Olhei para Victor com receio de que ele fizesse uma cena na frente da minha mãe por causa da intromissão de Sebastian, mas ele não transpareceu nenhuma insatisfação.
_Desculpe a invasão na sua casa Claudia_ Sebastian continuou_ Mas, estando Rafael impossibilitado de receber visitas, a única pessoa que conhecemos na cidade, além dele, é Helene. Por isso viemos passar um tempo de qualidade com essa simpática moça, enquanto esperamos notícias de nosso amigo. _ ele olhou para mim. _ espero que não estejamos sendo inconvenientes.
_Não. Podem ficar a vontade. _ela estava visivelmente encantada com ele e sua voz estava um pouco tremula_ Você está com fome? Parece que Helene e seu amigo não te esperam para comer. _mamãe me censurou.
_Na verdade a culpa foi minha. Eu parei em um lugar que me trazia boas recordações e me atrasei, mas não tenho fome. Victor já conhece bem os meus hábitos alimentares._ eu olhei chocada para ele.
_Então de onde vocês são?_ ela perguntou enquanto recolhia os pratos da mesa e levava para a pia.
_Pode deixar isso comigo mãe._ eu falei, mas ela se recusou.
_Deixe que eu limpo filha. Vá dar atenção aos seus amigos._ Os olhos dela estavam claros e sinceros então eu deixei. _Vocês não são brasileiros são?_ ela continuou, curiosa como sempre.
_Na verdade não._ Victor respondeu_ Eu sou da Escócia.
_Que interessante! E você Sebastian?_ fiquei surpresa por ela ter se lembrado do nome.
_E eu moro na Transilvânia. _ Sebastian disse e nós duas nos viramos para ele.
_Como o Drácula?_ mamãe disse meio sorrindo.
_Sim, como o Drácula. _ ele sorriu de volta, mas seus olhos debochados estavam em mim. Desviei os olhos dele. Já era constrangedor demais estar na mesma cozinha que ele, Victor e minha mãe. Não de mais aquilo. Eu queria sair gritando.
_Mas vocês vêm muito para o Brasil? Porque o português dos dois é impecável. Notei apenas um leve sotaque e alguns modos que não estamos acostumados a ver nos jovens daqui.
_Bem, não viemos tanto quanto gostaríamos. _Victor respondeu_ Sebastian ainda tinha seus olhos fixos nos meus. Estava ficando difícil ignorá-lo. Meu rosto estava ficando quente assim como restante do meu corpo.
_E como se conheceram. Nunca soube que Rafael tenha saído do país. _ Mamãe estava muito interessada na vida dos rapazes para o meu gosto. Ela era uma conversadora e muito curiosa. Eu tinha que tira-los de lá de algum jeito.
_Fazemos um intercambio cultural de vez em quando. Conhecemo-nos assim.
_Agora chega de perguntas mãe. Isso está parecendo a Santa Inquisição. _ saí da cozinha sem poder conte mais meu nervosismo _ Vamos ver o mar rapazes, a noite parece estar linda lá fora. _ eu chamei e fui para fora. Ouvi minha mãe consentir que fossemos e os dois pedirem licença a ela antes de me seguirem.
_Sua mãe é quase tão adorável quanto você._ Sebastian pegou em minha cintura enquanto eu caminhava na areia.
Ouvi um raspar de garganta intencional atrás de nós. Sebastian que me sustentava pela cintura, nos virou para olhar para Victor. Ele nos olhava passível.
_Você ainda está aí?_ Sebastian perguntou sarcástico.
_Quero te perguntar uma coisa._ Victor cruzou os braços a frete do peito. Fúria chispava entre os dois agora. Sebastian me soltou e o encarou também com os braços cruzados. _O que você está tramando dessa vez Sebastian?
_E do que você está falando Victor?_ Sebastian disse forçando uma voz calma.
_Não me venha com essa de inocente._ Victor explodiu_ Você sempre estraga tudo tentando tirar maior vantagem nas coisas. Se você não tivesse matado o outro lobisomem talvez ela não tivesse que passar por isso agora. Um lobisomem maduro não ia ataca-la daquele jeito. E sabendo como você é doente, imagino que observou o ataque do lobisomem sobre ela calmamente, o deixando chegar aos extremos, só o parando no último minuto sabendo no que acarretaria isso para ela. Eu só me pergunto por que Sebastian? Por que fez isso com ela?_ ele estava furioso. Sua voz não chegava estar alta, mas era muito intensa, como se mudasse a atmosfera ao seu redor.
_Primeiro, sua ignorância não o permite saber que a Pura sempre terá um lobisomem jovem que vai crescer com ela. Ganhar sua confiança e ser seu protetor desde a tenra idade. Segundo, você está certo. Eu vi o ataque, eu estava observando eles ha alguns dias. Consegui encontra-la usando um feitiço de uma bruxa. Mas eu tinha que deixa-lo fazer o que tinha que fazer. Nem era para eu estar aqui, então não esperava ter que interferir. Até que vi que o idiota não ia parar. Se eu não estivesse lá, se eu não tivesse encontrado Helene antes do tempo de ser chamado, você sabe que ela estaria morta agora. E nem eu, nem você e nem o lobisomem teria a chance de ser escolhido outra vez. Acho que o destino acabou por me redimir do meu erro do passado não acha?
_Morta? _ a palavra escapou da minha boca.
_Sim. A virgindade da Pura também é algo sagrado que não pode ser dividida entre os três, então se um tomar para si..._ Victor não foi capaz de completar a frase, mas eu entendi o que ele não conseguiu dizer. Ele se virou novamente para Sebastian que ainda irradiava fúria _Mas porque ainda não a tocou como devia? Aonde quer chegar com isso?
_Você é inacreditável, Victor! _Sebastian ergueu suas mãos para o céu como se desistisse de argumentar com uma criança._ Viu o que aconteceu quando eu apenas beijei a Pura. Agora que você mesmo já teve de Helene o que é de SEU direito_ ele enfatizou a palavra_ Seu, porque eu duvido que ela fosse escolher qualquer dessa merda pra ela, se tivesse uma chance. Então agora que já sentiu como é intenso tê-la nua sob seu corpo e toca-la daquele jeito sem não poder toma-la totalmente para si, multiplique isso por mil. Tente imaginar isso com o agravante de um instinto muito mais forte que o seu e mais a sede sufocando sua garganta._ Sebastian passou sua mão pelo cabelo exasperado _ Acho que você não seria capaz de imaginar, seus instintos humanos são uma ninharia diante do poder que tem os meus. Por isso só consegue disser besteiras, humano idiota!_ Victor não respondeu. A atmosfera era insuportável. Peu coração estava dando saltos.
_ Isso pode ser verdade. Mas não se esqueça que eu conheço sua mente Sebastian, e sei que você poderia suportar se você quisesse. _ ele não esperou a resposta de Sebastian. Apenas acenou para mim e saiu com passos lentos pela noite. De repente eu não podia mais vê-lo. Eu fiquei lá congelada no lugar, tentando assimilar o que tinha acabado de ouvir. Toda aquela confusão me fez sentir saudades do meu amigo Rafa e da paz que ele me fazia sentir só por estar perto de mim. Concluí com pesar que, talvez aquela nossa amizade nunca mais fosse a mesma.
Sebastian continuou parado onde estava ao meu lado, mas sem olhar para mim.
_Ele acha que você faz isso para ter mais de minha atenção._ sussurrei.
_E está funcionando?_ ele disse com a voz ainda rouca pelo recente acesso de raiva.
_Acho que sim, de certo modo.
_Isso é bom. Mas saiba que eu estou enlouquecido de vontade de tocar você como eles fizeram. Mais do que você precisa disso.
_Você matou o Lobisomem? Por quê?
_ Ele não conteve sua raiva quando viu a Pura morta e me atacou._ ele ergueu os ombros como se isso explicasse tudo._ eu balancei a cabeça e esfreguei meu rosto tentando limpar minha mente daquela confusão toda.
_Sebastian. _ chamei e ele que se virou para mim. Seus olhos tinham algo diferente, suas pupilas estavam levemente dilatadas e seu azul era sombrio. _Poderia existir algum jeito de acabar com isso? Quero dizer, você conhece uma bruxa que parece ser muito poderosa_ me senti meio ridícula dizendo isso _ Talvez ela consiga nos livrar dessa maldição.
_Maldição? _ ele pareceu confuso.
_Sim. Essa coisa de eu ser a Pura e de ter vocês... presos a mim. E todo esse feitiço que exerço nos homens._ comecei a ficar agitada_ E se ela puder nos livrar de tudo isso? _ senti uma esperança me inundando com essa ideia.
_Helene, isso não é uma maldição._ ele chegou muito perto de mim e segurou meu rosto com as duas mãos. Seu hálito doce tocou minha língua fazendo meus olhos fecharem imediatamente, antecipando o prazer do seu gosto. _Isso é o que você é._ ele disse baixinho. _ eu perdi minha linha de raciocínio. Estava queimado novamente. Esperei pelos lábios dele nos meus, mas eles não vieram. Uma frustração extrema me dominou e eu gemi.
_Por favor._ Implorei baixinho.
_Por favor, o que Helene?
_Por favor, me beije. _ele suspirou forte, quase grunhindo.
_Prometa ficar quietinha._ ele estava decidindo.
_Sim, por favor. _Sebastian se aproximou muito lentamente. Ele tocou seus lábios macios nos meus tão devagar que eu quis puxá-lo para mim. Sua língua escorregou docemente na minha boca e era maravilhoso. Era o melhor, eu podia jurar. Não poderia existir um beijo tão saboroso quanto o beijo daquele vampiro. Lutei para me manter imóvel como ele me pediu, mas foi em vão. Eu agarrei em seus cabelos negros e sedosos. Colei meu corpo completamente no dele e o beijei tão ferozmente quanto me foi possível. Nenhuma quantidade daquilo me seria suficiente. Eu queria mais, muito mais. Porém, ele me afastou. Seus braços fortes como aço me tiraram dele, deixando-me insatisfeita.
_Desculpe. _ eu disse, mas não conseguia me sentir realmente arrependida. Eu estava arfando. Meu sangue corria nas minhas veias, quentes como larva de vulcão. Imaginei que se eu podia sentir isso, ele sendo um vampiro, estaria ainda mais consciente do meu sangue. Seus olhos ainda estavam fechados e ele me mantinha presa na distancia de um braço. Quando ele abriu seus olhos eles estavam ainda mais transformados. As pupilas tinham tomado todo o azul em volta. Eram completamente negros. Aquilo me assustou um pouco. Foi a primeira vez que Sebastian não pareceu humano para mim. Mas passado o susto, senti uma curiosidade, ou seria um interesse de ver se ele teria presas. Estranhamente esse pensamento aqueceu ainda mais o meu sangue.
_Você não ficou quieta._ ele concluiu.
_Eu sei, me desculpe, eu... eu não consegui._ admiti constrangida.
_Isso é bom._ ele disse com um breve sorriso no canto dos lábios. Pensei ter visto uma pontinha de suas presas e meu coração pulou.
_Bom? Não entendo.
_Sinal que você gostou._ ele já estava quase refeito. Sua respiração estava uniforme e seus olhos estavam normais de novo.
_Você parece satisfeito.
_E estou._ ele disse soltando finalmente meus braços. Respirei fundo me avaliando. O formigamento nos meus lábios tinha cedido, mas ainda restava todo o resto.
_Imagino o porquê?
_Você continua viva. _ ele sorriu travesso. Não tinha nenhuma presa e fiquei um pouco decepcionada.
_Oh. Entendi. _ Virei-me e fui em direção ao mar, ele me seguiu. Sentei-me na areia, aonde as ondas chegavam devagarinho.
_Será que ela poderia?_ eu continuei no assunto de antes dele me distrair com o beijo.
_ Não acredito que ela tenha poder para isso, além do mais Katherine é muito caprichosa e só faz o que é de seu interesse._ ele se sentou ao meu lado. _É tão ruim assim para você? Quero dizer, ser cortejada por todos os machos e ainda ter o melhor de cada raça para e escolher. Isso parece ser o desejo de todas as mulheres que já conheci.
_Não quero nada disso. Quero ser normal._ nesse momento Sebastian se levantou. Olhei para ele que estava olhando para longe. Busquei ver o que ele estava vendo, mais levou mais do que alguns minutos para que eu pudesse identificar que vinha alguém em nossa direção. A expressão no rosto de Sebastian era ilegível. Levantei-me aturdida. Senti um frio correr na minha espinha quando reconheci que era Rafael que vinha para nós. Ele parou a muitos passos de distancia. 
_Vou deixar vocês conversarem._ Sebastian falou ainda olhando para Rafa_ Estarei por perto. _ ele desapareceu.
Rafael deu mais alguns passos, mas parou ainda distante de mim. Movi meus pés para alcançá-lo, mas quando a imagem do monstro que ele tinha se transformado veio em minha mente eu parei. Eu não sabia o que sentir. Tinha saudade e carinho por ele, mas também tinha medo.

_Helene me perdoe._ ele disse e caiu de joelhos. _ sua voz era fraca e seu rosto estava cansado. Seus olhos castanhos estavam derretidos de emoção. Eu quis abraça-lo e tirar todo aquele sofrimento dele. Eu o amava. Tinha certeza disso. Sabia também que ele não tinha me atacado por vontade própria, mas não conseguia ter a mesma confiança de novo. O medo que ele me atacasse de novo era muito forte. _ eu não vou mais ferir você. Eu juro._ ele suplicou _ Eu só não estava preparado para controlar aquilo. Agora já posso. Não tenha medo de mim. Perdoe-me eu te imploro, não sinta raiva de mim.
_Eu... Eu não tenho raiva de você Rafa._ era verdade _ Como você está? Por onde andou?
_Por favor não se preocupe comigo. Não é para ser assim. Só você importa e eu era para te proteger. Estou fazendo tudo errado._ ele estava derrotado. Caminhei para ele ordenando cada movimento de minhas pernas trementes. Abaixei-me na sua frente e segurei seu rosto. Eu o amava tanto. Minhas lágrimas desceram descontroladas por meu rosto.
_Oh! Rafa! Eu senti tanto a sua falta. _ minha voz estava embargada.
_Também senti a sua Helene. Mais do que pode imaginar. Nunca vou me perdoar pelo que fiz a você._ ele me aninhou em seus braços protetoramente. Como só ele podia fazer.
_Não pense assim. Você não teve culpa.
_Sim. Eu tive._ ele falou com a voz rouca que eu sentia tanta saudade_ Se eu tivesse levado a sério toda a história que meu pai me contava quando ele ainda estava vivo, estaria mais preparado. Eu reconheceria os sintomas que já vinha sentindo a muito tempo. O calor excessivo e o gosto maior pela violência. Eu não levei nada disso em conta. Achava tudo uma grande besteira.
_Helene!_ mamãe me chamou da varanda. Era longe demais para ela ver o que eu estava fazendo na escuridão, mas provavelmente ela sabia que eu não estava sozinha _Vai demorar ainda para entrar? _ ela não costumava me regular, mas eu tinha certeza que era a curiosidade que a estava consumindo. Ela não iria dormir antes de saber tudo o que estava acontecendo.
_Já vou mãe. _ Eu gritei. Sebastian se “materializou” do meu lado e Rafa me libertou de seus braços instantaneamente. O olhar para Sebastian era de animosidade clara.
_Voltarei no tempo certo Helene. Por enquanto tenha cuidado, por favor. _ ele me deu mais um abraço e se levantou, me levantando junto com ele.
_Você não pode ficar?_ pedi. Sebastian se moveu ao meu lado, mas eu ignorei.
_Ainda não. Mas eu volto, não se preocupe.
_Vamos._ Sebastian segurou gentilmente em meu braço. Rafa olhou com fúria contida em seus olhos e a mandíbula tensa. Fiquei apavorada. Se eles brigassem seria uma tragédia.
_Vá com ele._ Rafa disse entre os dentes. _ por enquanto. É assim que deve ser.
_Até logo._ eu fui capaz de dizer. Ele assentiu com a cabeça e foi embora._ Fiquei olhando ele se afastar por alguns minutos. Sebastian permaneceu silencioso ao meu lado. Toda aquela situação era muito estranha. Estranha não era a palavra. A palavra certa era bizarra. Depois de toda minha vida bizarra, eu consegui torna-la ainda pior. Suspirei cansada.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Cap. 3

 Tentei reconhecer o recém-chegado na vaga luz da lua, mas não era alguém que eu já tivesse visto. Quando ele alcançou a varanda e pude vê-lo de perto, concluí que decididamente eu nunca tinha o visto. Ele era simplesmente maravilhoso. Um rapaz alto e forte. Seus cabelos eram castanhos avermelhados e seu sorriso era a coisa mais perfeita que já tinha visto. Seus olhos eram verdes como uma pedra de jade e sua pele quase tão branca quanto de Sebastian, porem um pouco mais corada.
_Não está na sua hora._ Sebastian falou ainda sem olhar para ele.
_Nem na sua. Na verdade você está muito adiantado._ O desconhecido falou sem emoção. Ele também só olhava para mim. Quando parou na minha frente ele falou num sussurro _ Ela é ainda mais linda! _ Ele tinha mais sotaque do que Sebastian, mas também falava perfeitamente a língua. Algo na sua intensidade chamou a atenção de Sebastian que agora se virou para ele para falar.
_Como você a encontrou?_ ele pareceu quase irritado.
_Estava quase completando 100 anos da última vez, e sabendo como você é um trapaceiro, eu o encontrei e o segui. Eu tinha razão. De algum jeito você a encontrou antes do chamado se completar.
_Você é o outro. O Ultra-humano._ conclui aturdida. Seria entre Rafael e esses dois homens magníficos que eu teria que escolher. Isso era loucura!
_Oh, que falta de educação a minha. Meu nome é Victor e é um prazer imenso conhece-la. Vejo que meu amigo aqui já te adiantou algumas partes da história._ ele olhou significativamente para Sebastian e ofereceu sua mão para mim. Eu a peguei educadamente. Ele a segurou possessivamente com as duas mãos e a beijou ternamente. Seu toque despertou meu corpo assim como Sebastian fez. Senti minha pele queimar e desejar por ele. Puxei minha mão rapidamente. Constrangida, com medo de que aquele estranho percebesse meus pensamentos.
_Parece que vocês já me conhecem, e um ao outro também._ eu atirei mal humorada. Aquele descontrole do meu corpo estava me tirando do sério. Eu era o que nessa história? Uma espécie de abelha rainha sem nenhum livre-arbítrio esperando por seus zangões arrogantes e presunçosos? Eu não ia desempenhar esse papel nessa história idiota que algum deus desocupado inventou.
 _Sim. Eu e Sebastian nos conhecemos desde a última vez. _ Victor falou _ ele não deve ter contado essa parte da história._ ele falou acusadoramente para Sebastian _ mas você, Helene, eu só conheço agora. _ seu sorriso era amigável e reconfortante. Fazia-me sentir sua presença como sendo muito familiar.
_Eu deixei para você fazer isso Victor. Tenho certeza que terá mais prazer nessa narração do que eu._ Sebastian respondeu. Nesse momento minha mãe abriu a porta me surpreendendo. Ela estranhou quando me viu acompanhada por os dois homens na varanda.
_Helene, quem são esses?_ seu rosto estava franzido. Apreensivo.
_Olá senhora. Somos Victor e Sebastian_ Victor falou apontando para cada um deles_ Somos amigos de Rafael. Trouxemos notícias para Helene._ Mamãe pareceu confusa, mas aceitou.
Como ele sabia dessa história? Eu me perguntei.
_O que há de errado com ele?_ ela olhava desconfiada para eles e para mim.
_É difícil dizer, mas ele não está muito bem, então o levaram para fora para ser tratado._ Victor continuou calmamente. Percebi que ele usava palavras de duplo sentido. Não mentia, mas também não revelava a verdade.
_Ah que pena! Espero que ele fique bom logo. Ele é um bom amigo para Helene._ único amigo minha mãe devia estar querendo dizer. _ Vocês querem entrar?
_Não senhora._ Sebastian respondeu _ Outra ora talvez, já é muito tarde e precisamos ir. Mas ainda assim, obrigado pela gentileza._ Ele sorriu encantadoramente. Eu não podia dizer qual dos dois homens na minha frente era o mais bonito. Mamãe também pareceu pensar como eu. Ela estava visivelmente encantada com a aparência dos dois. _Até logo senhorita Helene. _ ele sorriu travesso para mim e soube que ele estaria no meu quarto antes que eu chegasse lá. _Senhora._ cumprimentou minha mãe da maneira que só se fazia antigamente e deu dois passos para fora da varanda.
_Boa noite Senhora!_ Victor também se despediu de minha mãe e se virou para mim_ Boa noite senhorita! Até breve._ seus olhos brilharam intensos. Meu coração perdeu uma batida.
_Boa noite._ respondi juntamente com mamãe e entrei rapidamente pela porta de casa, fugindo, o mais rápido que podia, daquela situação mais do que embaraçosa.
Ouvi quando minha mãe fechou a porta atrás de mim. A casa estava vazia. Não vi quando as amigas da minha mãe foram embora. Deve ter sido quando eu estava na praia com Sebastian.
_Ei espere aí Helene._ mamãe me parou quando eu já ia para o meu quarto. _Você já conhecia aqueles rapazes?
_Ah... um deles. Eu já tinha visto o Sebastian com Rafael uma vez._ Não era de todo uma mentira. Assim era mais seguro. Eu era uma péssima mentirosa.
_Eles não te criaram problema?_ eu entendi o que ela quis dizer. Se eles não tentaram me atacar como os homens geralmente faziam a me ver.
_Não tanto. Parece que respeitam a amizade com Rafael._ eu não fui muito convincente. Vi isso nos olhos de mamãe, mas ela deixou pra lá.
_Eles são de arrasar!_ ela desabafou com um sorriso saudoso por saber que eram jovens demais para ela. Ou por achar que eram jovens, por que pelo que percebi, eles tem mais de cem anos. Esse pensamento fez um frio estranho correr na minha espinha. _Você não achou filha? _ ela deve ter visto minha expressão estranha e não entendeu.
_Claro que achei. Bonitos demais.
_Perfeitos para você. Não se interessa por nenhum dos dois? _ ele me olhou duvidosa. Minha mãe não entendia porque eu não namorava o Rafael e nem me interessava por nenhum dos outros rapazes que me perseguiam.
_Eu não sei mãe, mas me pareceram bem interessantes. _ não sei o que ela viu em meu rosto, mas seja lá o que foi a fez sorrir satisfeita. _Vou dormir. Boa noite e feliz aniversário mãe.
_Obrigada e boa noite também filha.
Entrei no meu quarto e fechei a porta. Como eu esperava Sebastian já estava lá. Como da outra vez, ele estava encostado na parede perto da janela com os braços cruzados no peito.
_Vou tomar banho._ falei sem vontade. Estava meio tonta com tanta loucura. Peguei um pijama no meu guarda roupa e fui para o banheiro sem olhar de novo para ele. Era muito estranho ter um homem no meu quarto. Nem Rafael costumava entrar aqui. Entrei no banheiro da minha suíte. Isso era uma exigência para mim, já que quando minha mãe achava de trazer seus visitantes eu tinha que ficar enclausurada no quarto. Então ela fez um banheiro para mim.
Tomei banho rapidamente evitando tocar muito minha pele estranhamente sensível. Sequei-me e me vesti sentindo que a necessidade se tornava cada vez maior. Eu não conseguiria dormir daquele jeito. Saí do banheiro e encontrei Sebastian na mesma posição que eu deixei. Deitei na cama de costas pra ele, tentando o ignorar. Seria impossível, mas eu ainda estava de mau humor por causa da necessidade não satisfeita e incontrolável.
_Não posso saber como se sente sem olhar seu rosto. Já pedi que não o escondesse de mim._ ele disse docemente, perto de minha cama agora.
_Já pensou em perguntar como eu me sinto?
_Na verdade não. Como você se sente Helene?
_Me sinto uma droga de abelha._ soltei.
_Uma abelha?
Esperei que ele dissesse mais alguma coisa, mas ele não disse então eu continuei.
_Uma abelha rainha que só faz da vida esperar pelos zangões para se acasalar. Sem nenhuma outra escolha de vida, ela tem apenas que fazer isso._ o ressentimento tinia na minha voz.
_Uma abelha rainha acasala com vários machos e depois eles morrem. Isso não é o que vai acontecer._ a voz dele era séria e confusa. Virei pra ele.
_Não é disso que eu estou falando. Não quero ser essa... Pura. Quero ser uma mulher normal que estuda e trabalha. Que pode ou não se apaixonar, e pode ou não encontrar um cara que a ame. Escolhas Sebastian. É disso que estou falando.
_Você tem toda escolha. Nós é que não temos.
_Então eu posso escolher ficar sozinha?
_Sim. Mas eu não acho que fará isso. Suas necessidades vão aumentar cada vez mais a partir de agora.
_Mais ainda?_ eu quase gritei.
_Helene. _ ele se aproximou de mim_ somos o que somos. Quanto antes aceitarmos isso e aprendemos a lidar com o que nós somos melhor. Menos sofrimento. Acha que eu queria ser um vampiro?
Eu não tinha pensado muito sobre Sebastian ser um vampiro. O que isso significava? Como ele vivia?
_Como é ser um vampiro._ a palavra era definitivamente muito estranha de se dizer em voz alta, mas saiu de minha boca de súbito._ Quero dizer, quais as diferenças de nós? Você não parece ser tão diferente.
_Eu me alimento de sangue humano, se é isso que quer saber._ ele sorriu. Estava sentado na beira da minha cama agora_ Só de mulheres para ser claro. Mas não preciso matá-las no processo. _ ele sorriu pra mim. Considerei aquilo brevemente.
_Pode sair no Sol?_ resolvi ir da parte mais tensa para uma mais fácil. Eu não estava com estrutura para lidar com a ideia de ter um chupador de sangue de mulheres no meu quarto gora.
_Normalmente não, mas eu tenho uma amiga bruxa que fez um feitiço que me permite algumas horas no sol, embora eu não me sinta muito a vontade, às vezes é muito útil.
_imagino que sim. _ tentei parecer casual _ algumas eu Já percebi. Você é muito veloz. _ ele concordou coma cabeça. Seu sorriso estava sempre no canto da sua boca perfeita e arrogante _ E pode deixar alguém inconsciente com um sopro._ me lembrei da noite passada quando ele me adormeceu para me levar para casa._ o que mais pode fazer de diferente? _ ele riu.
_Aquilo é um pequeno truque que aprendi com a bruxa. Não é porque sou um vampiro. Posso te ensinar se quiser._ ele estava encantador. Minha pele ardeu tanto que eu gemi. Ele fez uma careta.
_Aquele lobisomem é um idiota._ ele rosnou_ Desculpe Helene por... isso, mas acho melhor esperar você fazer sua escolha. Tudo isso vai melhorar então.
_Mas, pelo que entendi isso só pode ser feito depois que eu completar vinte e um anos. O que será daqui a uma semana._ minha voz saiu apavorada.
_Sim. Mas entenda. Eu te tocar antes disso seria perigoso para você. Não vou te colocar em risco._ ele tocou meu cabelo com ternura, mas até esse simples gesto me fez queimar ainda mais e gemi involuntariamente de novo. _ Me desculpe._ ele disse e eu sabia que ele não se desculpava por ter me tocado, mas por não poder me tocar como eu precisava.
_Victor, ele vai voltar?_ minha lembrança de que ele podia aliviar aquele desejo insuportável me deu alguma esperança. Eu estava desesperada.
_Sim. Ele estará em sua porta pela manhã. Esse é o trato. Eu fico com você a noite e ele fica com você durante o dia._ sua voz estava desanimada. Ele sabia em que eu estava pensando, mas eu não estava em condições de preservar os sentimentos de ninguém.
_Pode fazer aquele truque para eu dormir de novo. Por favor._ implorei. Sebastian me olhou por um momento decidindo. Depois abriu um pouco sua boca e fez um suave biquinho e assoprou em meu rosto. Aspirei seu hálito doce sentindo meu corpo ferver de desejo por sentir aquele gosto em minha língua, mas em seguida fui tomada por um sono muito pesado e apaguei.
_Boa noite Helene!_ ouvi sua voz em algum lugar perdido nos meus sonhos.
Acordei com a luz do dia incomodando meus olhos. Estava tão cansada quanto antes de dormir. O sono forçado não serviu para nenhum descanso. Os sonhos perturbadores me atormentaram a noite toda e a queimação na minha pele estava ainda pior. Procurei em volta, mas estava sozinha. Levantei-me com um impulso e corri para a porta da frente. Quando saí na varanda lá estava ele. Victor me esperava assim como Sebastian me disse. Ele era ainda mais bonito com a luz do dia. Eu não sei o porquê, mas ele pareceu surpreso com alguma coisa que viu em meu rosto.
_Bom dia!_ ele disse ainda tentando desvendar minha expressão. Fui até ele e o puxei pela mão.
_Venha comigo._ eu o levei para o meu quarto e me deitei na cama. Por um momento me sentia muito constrangida, mas o fogo que me queimava não me deixava outra opção. _ Toque-me. _ fechei meus olhos e esperei.
_Como?_ ele perguntou assustado. Abri meus olhos sem vontade. Ele estava de pé ao lado da minha cama com os olhos arregalados.
_Você não sabe?
_Não mesmo.
_Pensei que vocês soubessem de tudo.
_De tudo não. Não posso ler sua mente, apenas ver seus sentimentos nos seus olhos assim como Sebastian.
_Ele faz isso muito bem. _ reclamei contrariada.
_Ele é uma raposa muito velha._ Victor deu um sorriso de um lado da boca que fazia meu corpo estremecer_ Vai me dizer o que está acontecendo?
_O lobisomem me atacou. _ eu não consegui entrar em detalhes e torci para que ele deduzisse o resto.
_Que idiota!_ ele se virou para longe de mim furioso, mas voltou em seguida para mais perto com um olhar preocupado._ Precisa me dizer exatamente o que ele fez. Eu revirei os olhos e dei um suspiro.
_Ele fez quase tudo. _ minha voz saiu baixa e impaciente. Victor engoliu duramente. _ rasgou minhas roupas e deitou sobre mim, tocou e beijou meu corpo. Ele ia terminar tudo quando Sebastian apareceu e o tirou de cima de mim.
_Isso é uma droga! Eu sinto muito. _ ele tocou meu rosto_ Vou fazer isso parar. Você precisa me guiar tudo bem?_ ele tinha seus olhos doces e havia o desejo brilhando neles, mas assim como via nos olhos de Sebastian e nos de Rafael, tinha alguma coisa a mais lá. Um sentimento mais profundo, difícil de identificar. Eu concordei com a cabeça e fechei meus olhos novamente. A antecipação fazia meu corpo tremer. Aquele lindo estranho me tocaria da maneira mais íntima que eu podia imaginar. Meu coração batia forte como um tambor.
Victor se aproximou e pegou a barra da minha camisa e a levantou gentilmente. Ele estava me despindo. Senti um pavor momentâneo, mas logo minha pele concordou com aquilo. Tinha um conflito em mim entre a vergonha e o desejo, mas o segundo estava ganhando com vantagem. Depois de me despir da cintura para cima foi a vez de tirar minhas calças. Mantive meus olhos bem fechados, mas podia ouvir a respiração acelerada de Victor debruçado sobre mim. Ele abaixou lentamente minhas calças de malha descendo por meus quadris. Levantei brevemente para facilitar que ele me livrasse do tecido. Eu não estava de calcinha o que poupou mais um trabalho e o tempo que estava me deixando louca. Meus lábios formigavam e eu ansiava pelo alívio daquela sensação.
_Helene, olhe pra mim._ ele me pediu num sussurro doce. Abri meus olhos e seu rosto estava bem próximo ao meu. _ Eu te amo. _ ele disse e me beijou.
Era isso que eu queria. O toque dos seus lábios nos meus me traziam o prazer e o alívio que eu precisava. Era muito bom. Era como beber água depois de passar horas com muita cede. Segurei em seus cabelos macios e o puxei para mim. Ele se deitou sobre meu corpo nu. Percebi que ele estava vestido, mas isso não me incomodava. Já era íntimo demais estar nua sob ele.
_Onde... eu devo._ Victor disse arfando. Suas mandíbulas estavam apertadas e seus olhos muito intensos.
_Todos os lugares do joelho para cima._ respondi ansiosa. Meus lábios não formigavam mais e  estava animada, imaginando ter aquele alívio nas outras partes do meu corpo também. Ele desceu suas mãos pela minha cintura e como eu esperava o prazer e o alívio vinha com o calor de seu toque. Suas mãos passeavam por todo meu corpo e Victor ficava cada vez mais tenso. Eu tinha pouca consciência dele ou do que acontecia fora de mim. As sensações que experimentava eram muito fortes e me absorviam cada vez para mais longe da realidade. Por um momento ele parou com sua mão entre minhas cochas brevemente separadas.
_Aqui? Ele perguntou com a voz sufocada. Eu entendi o que ele queria saber. Se devia tocar em meu sexo.
_Sim. _ eu respondi sem nenhum pudor. Só desejo. _ ele avançou com sua mão e senti seus dedos em meu centro suavemente. Sim, era isso que eu queria. Ele não ficou muito tempo ali, mas foi o suficiente. Estrelas brilhavam na minha cabeça e o ar que entrava em meus pulmões, dava-me a sensação de estar voando. Alívio. A queimação tinha ido embora quase que completamente. Só uma parte de mim ainda estava insatisfeita. Por mais que ele passasse as mãos nas minhas cochas, não era suficiente e de repente eu sabia por que. Rafael não tinha me tocado naquela parte apenas com as mãos. Abri meus olhos e fixei os de Victor. Ele não era mais um estranho para mim, mesmo que eu não soubesse nada dele. Éramos íntimos. Ele se preparava para me liberar, mas minha reação o parou.
_Ainda falta. _ não era uma pergunta e vi a compreensão chegando aos olhos alarmados dele. Concordei com a cabeça e fechei meus olhos. Torcendo para que não tivesse que dizer a ele o que fazer. Não foi necessário. Victor desceu sua mão para o botão de sua calça e a abriu liberando seu membro que logo pulsou quente e firme na minha cocha direita. Ele conseguiu acertar exatamente onde eu o queria, ou precisava. O prazer me inundou novamente e nessa hora eu queria mais. Eu queria que ele terminasse o que Rafael começou. Não pela necessidade que me torturava antes, mas por puro desejo por aquele homem maravilhoso. Movi meus quadris em sua direção e os gemidos que escapavam de minha boca, antes suaves, agora eram fortes e audíveis.
_Não Helene. Não. _ ele sussurrou mais para ele do que para mim e nesse momento se recolheu em suas calças novamente e se sentou na cama, deixando-me inebriada com a libido. Victor alcançou a colcha da minha cama e me cobriu gentilmente evitando olhar diretamente para mim. _Se nós fizéssemos mais do que isso poderia ser fatal para você. Entenda._ sua voz estava mais composta.
_Eu não entendo. _ Murmurei, mas não estava mais me importando tanto. Passado o primeiro ímpeto, meu corpo relaxou e o alívio da tensão que estava antes fez meus membros ficarem moles e meus pensamentos lentos. Curvei meu corpo para o lado e adormeci imediatamente. Depois de um tempo que não sabia dizer quanto, os sonhos voltaram. Porem, agora era muito claro quem estava neles. Era Sebastian em toda sua gloriosa beleza e arrogância. Ele me tocava exatamente com Victor tinha feito, mas seu cheiro era diferente e seu sabor também.
_Sebastian. _ acordei com minha própria voz sussurrando o nome dele e meu corpo estava queimando de novo.
_ O que você está fazendo aqui?_ Ouvi Victor falando.
_Ela me chamou._ Sebastian respondeu. Abri meus olhos e dei um pulo, me sentando na cama e buscando pelos tecidos da minha colcha para me cobrir com mais eficiência. Os dois olharam para mim, mas havia animosidade demais entre eles e voltaram a se encarar.
_Ela estava sonhando, pode ir embora. Ainda tenho algumas horas para ficar com ela, e sozinho.
_Isso se ela quiser._ Sebastian respondeu simplesmente. _Ela pode escolher a companhia que quer ao seu lado. _ Ele se virou pra mim._ Você sabe que tem essa escolha. Não sabe Helene?_ os dois olharam para mim de novo Victor estava furioso e embora tivesse um lado muito forte de mim que queria a presença, ou a proximidade de Sebastian, eu também estava muito curiosa de conhecer Victor melhor, afinal não tivemos nenhuma oportunidade de conversar e isso não seria justo com ele, seria?
_Preciso conversar com Victor. _disse finalmente. Vi o rosto de Sebastian cair brevemente, mas ele se refez rápido.
_Está certo. Quando estiver pronta para mim, me chame. _ seus olhos queimaram nos meus e minha necessidade por ele fez meu sangue ferver. Será que ele tinha mudado de ideia? Quase pedi para que ele ficasse e Victor fosse embora, mas me contive. Sebastian desapareceu como sempre fazia. Eu já estava me acostumando com aquilo.
_Ele não fez?_ Victor chamou minha atenção com uma pergunta indignada._ Sebastian não te recuperou do que o lobisomem te fez? _ Aquela reação me deixou confusa. Ele estava aborrecido porque outro homem não agarrou nua? Neguei com a cabeça.
_Ele disse que não podia me tocar. Que era perigoso para mim. _eu disse desanimada baixando meus olhos.
_É claro que é perigoso, mas ele deve. Ele deve isso a você. É um idiota!_ Victor estava furioso. _ Qual é o jogo dele dessa vez? Quer manter você mais consciente dele do que de nós? Acha que isso a fará você escolhê-lo? _ Victor andava de um lado para o outro do meu pequeno quarto, como se eu não estivesse ali _ Enquanto tudo isso é culpa dele. Sempre culpa dele.
_Vai me contar a outra parte da história? _ perguntei com cuidado. Ele parou. Respirou fundo e pareceu pensar um pouco.
_Há exatamente cem anos nós fomos atraídos pelo chamado da pura. Eu e Sebastian. Ela tinha nascido em Roma. _ ele olhou para o nada como se buscasse por memórias antigas_ Ela era linda! Muito loira, seus cabelos eram quase brancos. Diferente de você. _ ele olhou para mim_ Mas seus olhos eram tão misteriosamente azuis quanto os seus. Exatamente iguais. Linda e sofrendo com o assedio masculino como você sofre, mas também era protegida por um lobisomem assim como você. E curiosamente o lobisomem também a tinha atacado. Com menos intensidade, se eu posso dizer. Ele apenas a beijou. Ainda não tinha se transformado completamente em uma fera como seu amigo. Eu adivinho pelas marcas das garras na sua pele._ ele franziu o cenho olhando para meus braços expostos. _ acontece que ela precisava que eu e Sebastian a beijássemos, então eu fiz. Mas quando foi a vez de Sebastian alguma coisa deu errado. _ Victor ficou ainda mais sombrio _ Ele a mordeu. E como a mordida de um vampiro não é uma coisa violenta, está mais para sensualidade, e como isso era uma coisa que nem eu nem o lobisomem podíamos tomar para nós também, ela morreu em seus braços._ Victor olhou para mim e percebi que meus olhos estavam arregalados com o choque.
_Meu deus!_ pude dizer.
_Ele não fez isso de propósito. Era difícil prever que isso fosse acontecer. Eu sei que ele não queria perde-la, assim como nós também não queríamos. Tenho certeza que ele não se perdoa por essa falha. _ ele pausou por um instante. Eu tinha um nó preso na garganta_ Talvez seja por isso que ele te recusa um direito seu. Por medo, mas é difícil ter certeza quando se trata de Sebastian.
_Então vocês tiveram que esperar por cem anos para terem outra chance de serem escolhidos pela Pura._ conclui perplexa.
_Sim. Na verdade eu fique surpreso por ter sido eu novamente a servir como melhor opção para você entre os Ultras. Depois de cem anos não nasceu nenhum melhor._ ele sorriu satisfeito_ Mas sabia que encontraria Sebastian aqui, já que ele é o único que restou de sua espécie.
_Ele é o único vampiro que existe?
_ Sim. Nem mesmo ele sabe o que aconteceu com os outros, mas temos certeza que só restou ele._ aquilo me distraiu das outras milhares de perguntas que eu tinha em mente. Eu queria aproveitar que Victor era mais aberto a falar do que Sebastian para descobrir o máximo possível dessa história que parecia loucura de hospício, mas que eu tinha sentido na carne que era verdadeira. A não ser que eu mesma estivesse louca de pedra e estava imaginando tudo aquilo.
_Ele não pode criar outros vampiros, quero dizer transformar humanos?
_Não, ele não pode. Ninguém sabe muito sobre os vampiros. Mas eu acho que antes eles podiam transformar humanos, mas com o passar do tempo o DNA foi se diluindo e ficando mais fraco, até que chegou um ponto que eles não puderam mais, se tornaram híbridos. É para isso que a Pura existe. Para purificar as raças. Quando você escolher um de nós se unirá perfeitamente a ele e seu próprio DNA será igual ao seu e seus descendentes serão puros. _ eu não sabia o que pensar então ele continuou_ Nós os Ultra-humanos não somos poucos. Estamos espalhados pelo mundo caminhando no meio dos humanos tranquilamente disfarçados. Misturamo-nos e nos reproduzimos com eles também. Não sabemos exatamente nossa origem, mas isso os humanos também não sabem a sua. Talvez tenhamos vindos todos da mesma fonte afinal.